Remissão total do câncer após CAR-T Cell: a história de Paulo

junho 19, 2026
Remissão total do câncer: conheça a história de Paulo, curado pela terapia CAR-T Cell após 13 anos de luta contra a doença.

A remissão total do câncer deixou de ser exceção para pacientes antes sem alternativas. A terapia CAR-T Cell transformou esse cenário no Brasil. O caso do publicitário Paulo Peregrino, de 64 anos, ilustra bem essa virada.

Neste artigo, você vai entender a jornada de Paulo até a cura. Também vamos explicar como a terapia celular funciona e por que ela representa uma das maiores inovações da oncologia moderna.

A luta de 13 anos contra o câncer

Paulo enfrentou o câncer pela primeira vez em 2010. Anos depois, em 2018, recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin. A doença se mostrou agressiva e resistente aos tratamentos disponíveis.

Entre 2018 e 2021, ele passou por 50 sessões de quimioterapia. Também enfrentou um transplante de medula óssea sem sucesso. Nada parecia controlar o avanço da doença pelo corpo.

Em 2022, já sem alternativas, surgiu a chance da terapia celular. Paulo correspondia a todos os critérios da pesquisa clínica. Para ele, era a única opção que ainda restava naquele momento.

O momento que mudou tudo

Em março de 2023, Paulo recebeu a infusão das células CAR-T pela primeira vez. Em apenas 48 dias, os linfomas espalhados pelo corpo desapareceram completamente. Hoje, ele celebra dois anos de remissão total da doença.

O publicitário ainda se emociona ao comparar os exames de antes e depois. Ele descreve aquele dia como o auge de uma luta de 13 anos. Em cerca de uma hora, a ciência resolveu um problema antigo.

A infusão chegou ao quarto dentro de uma simples caixa térmica. De lá, a enfermeira retirou uma bolsa de sangue reprogramado. Aquele gesto representava anos de pesquisa e esperança concentrados.

Como funciona a terapia CAR-T Cell

A sigla CAR-T significa célula T receptora de antígeno quimérico. A técnica usa engenharia do sistema imunológico contra o tumor. Células de defesa do paciente ganham sensores para atacar o câncer.

O processo começa com a coleta de sangue pela veia do paciente. Dele são retirados os glóbulos brancos, conhecidos como linfócitos. Essas células são as responsáveis pela defesa natural do organismo.

Em laboratório, os linfócitos são reprogramados geneticamente com precisão. Eles aprendem a reconhecer e combater as células cancerígenas. Depois, são expandidos e devolvidos à corrente sanguínea do paciente.

A terapia trata leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B. As taxas de resposta são altas em cânceres do sangue agressivos. Ela é indicada quando outras opções terapêuticas já se esgotaram.

O avanço da terapia celular no Brasil

O primeiro tratamento brasileiro aconteceu em 2019, na USP de Ribeirão Preto. Um aposentado de 64 anos ficou livre dos sintomas do linfoma grave. O caso abriu caminho para novas pesquisas nacionais.

Entre 2022 e 2024, a Anvisa aprovou terapias comerciais de farmacêuticas estrangeiras. Isso tornou o Brasil a principal referência da América Latina. O acesso, porém, ainda esbarrava no custo de até R$ 4 milhões por dose.

Havia também o desafio logístico de enviar células ao exterior. A fabricação ocorria nos Estados Unidos ou na Europa, atrasando o tratamento. Esse cenário colocava pacientes em estado grave em maior risco.

Para mudar isso, instituições brasileiras uniram esforços em pesquisa nacional. Hemocentro de Ribeirão Preto, USP e Instituto Butantan lideraram os estudos. O objetivo era nacionalizar a tecnologia e reduzir custos.

Resultados que abrem caminho para o SUS

Os estudos nacionais já incluíram 75 participantes até o momento. Desses, 25 receberam a infusão das células CAR-T e seguem em tratamento. A pesquisa prevê o recrutamento de pelo menos 100 pacientes.

Os pesquisadores alcançaram taxas de até 87,5% de eficácia. Os resultados envolvem pacientes com leucemia linfoide aguda B e linfoma não Hodgkin B. O próximo passo é o pedido de registro definitivo na Anvisa.

Esse registro pode abrir caminho para a oferta pelo SUS. Estudos brasileiros indicam que o uso precoce economiza recursos hospitalares. A terapia evita internações e tratamentos para recidivas da doença.

Aspecto

Antes da terapia CAR-T

Depois da terapia CAR-T

Opções de Paulo

50 sessões de quimioterapia e transplante sem sucesso

Remissão total em 48 dias

Tempo de luta

13 anos contra o câncer

Dois anos de remissão completa

Disponibilidade no Brasil

Doses importadas de até R$ 4 milhões

Produção nacional em desenvolvimento

Eficácia nos estudos nacionais

Sem alternativa eficaz para casos graves

Até 87,5% de resposta clínica

Perguntas frequentes

O que significa remissão total do câncer?

Significa o desaparecimento completo dos sinais da doença nos exames. No caso de Paulo, os linfomas sumiram em 48 dias. Ele celebra hoje dois anos de remissão total confirmada.

Quem pode receber a terapia CAR-T Cell?

A terapia é indicada para alguns cânceres do sangue específicos. Entre eles estão a leucemia linfoide aguda e o linfoma não Hodgkin. Geralmente é usada quando outros tratamentos já se esgotaram.

A terapia CAR-T já está disponível pelo SUS?

Ainda não, mas o caminho está sendo construído no Brasil. Os estudos nacionais buscam registro definitivo junto à Anvisa. A aprovação pode abrir a oferta futura pela rede pública.

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