Terapia CAR-T será testada contra lúpus e miastenia gravis no Brasil

A terapia CAR-T para lúpus e miastenia avança para uma nova fase no país. USP, Instituto Butantan, Hemocentro de Ribeirão Preto e Fapesp assinaram um acordo de cooperação. O objetivo é desenvolver terapias celulares avançadas contra doenças autoimunes.
O anúncio foi feito em 17 de junho, no Centro Administrativo do Instituto Butantan. A parceria amplia um trabalho que já mostrava resultados promissores contra o câncer.
Agora, a proposta é testar a tecnologia em duas condições autoimunes graves. São elas o lúpus eritematoso sistêmico e a miastenia gravis generalizada.
O que motivou a expansão da pesquisa
As instituições já trabalham juntas desde 2022. Nesse período, desenvolveram a terapia CAR-T contra leucemia linfoide aguda e linfoma não Hodgkin de células B.
Os estudos são conduzidos no Núcleo de Terapias Avançadas, o Nutera. Ele tem unidades em São Paulo e em Ribeirão Preto.
Em 2024, teve início o ensaio clínico de fase 1 contra esses cânceres hematológicos. Os resultados têm sido animadores, com mais de 87% de eficácia em casos graves.
Diante desse avanço, os pesquisadores decidiram testar a tecnologia em doenças autoimunes. A ideia é aproveitar o conhecimento acumulado nos últimos anos.
Como funciona a terapia CAR-T
A terapia CAR-T modifica geneticamente os linfócitos T do próprio paciente. Essas células passam a reconhecer e atacar alvos específicos da doença.
A tecnologia surgiu nos Estados Unidos em 2010. Ela reúne mais de 60 anos de pesquisa científica acumulada.
No Brasil, os primeiros testes começaram em 2019. Pacientes com leucemia e linfoma resistentes a tratamentos convencionais participaram dos estudos.
Na época, a eficácia na redução de tumores chegou a 80%. Esse resultado abriu caminho para novas aplicações da técnica no país.
Lúpus e miastenia gravis no novo estudo
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune crônica. Pode evoluir rápido ou de forma lenta e progressiva.
A condição afeta diferentes órgãos do corpo. Entre os sintomas mais comuns estão febre, emagrecimento, perda de apetite e fraqueza.
Já a miastenia gravis generalizada é uma doença autoimune diferente. Ela compromete a comunicação entre nervos e músculos.
Isso provoca fraqueza muscular progressiva. Em casos mais graves, pode dificultar a fala, a deglutição e até a respiração.
Quem poderá participar dos ensaios clínicos
Os estudos ainda dependem de aprovação da Anvisa. Caso sejam autorizados, terão critérios bem definidos de seleção.
A proposta é incluir 16 pacientes adultos com lúpus eritematoso sistêmico. Para a miastenia gravis generalizada, serão 10 pacientes adultos.
Os voluntários serão recrutados em dois hospitais. Um deles é o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. O outro é o Hospital das Clínicas de São Paulo.
Ambos os grupos devem incluir pacientes com doença grave. É necessário já ter feito ao menos dois tratamentos convencionais, sem resposta adequada.
Aspecto | Lúpus eritematoso sistêmico | Miastenia gravis generalizada |
|---|---|---|
Tipo de doença | Inflamatória autoimune crônica | Autoimune neuromuscular |
Principais sintomas | Febre, emagrecimento, fraqueza | Fraqueza muscular progressiva |
Pacientes previstos | 16 adultos | 10 adultos |
Locais de recrutamento | HC de Ribeirão Preto e São Paulo | HC de Ribeirão Preto e São Paulo |
O que representa esse avanço para o Brasil
O reitor da USP, Aluisio Segurado, destacou o potencial da parceria. Para ele, isso fortalece o conhecimento nacional em terapias avançadas.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, reforçou esse ponto de vista. Segundo ele, a terapia celular já vem transformando o tratamento de doenças crônicas.
O objetivo de longo prazo é ampliar o acesso da população. A meta é que a tecnologia chegue aos brasileiros também pelo SUS.
O acordo reúne instituições públicas de referência em pesquisa. Isso cria uma base sólida para o desenvolvimento contínuo de novas terapias no país.
Perguntas frequentes
A terapia CAR-T já é aprovada para lúpus e miastenia no Brasil?
Ainda não. Os estudos dependem de aprovação da Anvisa para começar os testes clínicos.
Quantos pacientes participarão da pesquisa?
A previsão é de 16 pacientes com lúpus e 10 com miastenia gravis generalizada, ambos adultos.
Quem pode participar dos ensaios clínicos?
Pacientes com doença grave, que já tentaram pelo menos dois tratamentos convencionais sem resposta adequada.
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