O Processo de Aférese para CAR-T: Como Funciona a Coleta de Células?

julho 13, 2026
Entenda como funciona a aférese para CAR-T: coleta de linfócitos T, preparo do paciente, metas celulares e etapas até a infusão no Brasil.

A terapia com células CAR-T começa muito antes da infusão. O ponto de partida é a aférese para CAR-T, procedimento responsável por coletar os linfócitos T do próprio paciente. São essas células que, após modificação genética em laboratório, se tornarão as “soldados reprogramados” capazes de identificar e destruir células tumorais com alta precisão. Sem uma coleta bem-sucedida, todo o tratamento subsequente fica comprometido.

No Brasil, centros especializados em terapia celular já acumulam experiência significativa nesse processo. A aférese envolve etapas criteriosas de preparação, execução técnica, controle de qualidade e logística pós-coleta. Este artigo explica cada uma dessas fases, do planejamento pré-coleta ao transporte do material para manufatura, com base em dados clínicos e normas regulatórias brasileiras.

Introdução à aférese para CAR-T

O que é aférese e qual é seu papel no tratamento

Aférese é um procedimento que separa componentes específicos do sangue enquanto devolve o restante ao paciente. No contexto das células CAR-T, o objetivo é coletar linfócitos T, especialmente células CD3+, que serão enviados ao laboratório para modificação genética e expansão.

Esse passo é indispensável porque a terapia CAR-T é, na maioria dos casos, autóloga: as células vêm do próprio paciente. A qualidade e a quantidade do material coletado influenciam diretamente a eficácia do produto final.

A aférese é, portanto, o alicerce de todo o ciclo terapêutico.

Preparação pré-coleta de linfócitos

Avaliação clínica e hematológica

Antes da coleta, o paciente passa por avaliação detalhada. São analisados contagem absoluta de linfócitos, percentual de células CD3+ periféricas, estado geral de saúde e histórico de tratamentos anteriores.

Pacientes com múltiplas linhas de quimioterapia podem apresentar linfopenia, reduzindo a viabilidade de uma coleta eficiente. Nesses casos, o planejamento precisa ser mais criterioso para garantir dose celular suficiente.

O acesso venoso também é avaliado: cateter venoso central ou veia periférica de bom calibre são requisitos para o procedimento.

Mobilização celular e preparo específico

Diferentemente da coleta de células progenitoras hematopoiéticas, a aférese para linfócitos T geralmente não exige mobilização com fatores de crescimento. No entanto, alguns protocolos incluem estímulos específicos para aumentar a circulação de células CD3+.

O paciente recebe orientações sobre hidratação, medicamentos a manter ou suspender e jejum parcial conforme o protocolo do serviço. Esse preparo influencia diretamente o rendimento da coleta.

Procedimento de aférese para CAR-T

Como funciona o circuito de coleta

O sangue do paciente é retirado continuamente por uma via de acesso venoso e passa por um separador celular. Um anticoagulante, geralmente citrato, é adicionado ao circuito para evitar coagulação durante o processo.

Por centrifugação contínua ou leucoaférese, os linfócitos T são separados dos demais componentes sanguíneos. O concentrado de células CD3+ é coletado em bolsa estéril, enquanto eritrócitos, plaquetas e plasma são devolvidos ao paciente.

O procedimento dura tipicamente entre 2 e 4 horas, com processamento de 2 a 3 volemias do paciente.

Metas celulares e múltiplas sessões

A dose-alvo de células CD3+ varia conforme a doença e o protocolo: geralmente entre 1×10⁹ e 2×10⁹ células. Dados de experiência brasileira mostram que parte dos pacientes não atinge essa meta em uma única sessão.

Fatores como linfopenia prévia, imunossupressão intensa e acesso venoso inadequado são os principais responsáveis pela necessidade de coletas adicionais. O planejamento deve prever essa possibilidade desde o início.

Parâmetro

Referência esperada

Dose-alvo de células CD3+

1×10⁹ a 2×10⁹ células

Duração da sessão

2 a 4 horas

Volume de sangue processado

2 a 3 volemias

Número de sessões

1 a 2 (conforme rendimento)

Viabilidade celular mínima

≥70% (varia por protocolo)

Aspectos técnicos e logísticos

Equipe, infraestrutura e controle de qualidade

A aférese para CAR-T exige equipe multidisciplinar: hematologistas, especialistas em terapia celular, técnicos de aférese e profissionais de enfermagem treinados. A infraestrutura mínima inclui separadores celulares validados, sistemas de criopreservação e protocolos rigorosos de biossegurança.

O controle de qualidade da coleta envolve análise de viabilidade celular, pureza do produto, esterilidade e confirmação da dose alvo. Todos esses dados são documentados e integrados ao prontuário do paciente.

Regulamentação da Anvisa e auditorias

No Brasil, a aférese para fins de terapia celular está sujeita a normas específicas da Anvisa. Serviços hemoterápicos que realizam coleta para CAR-T precisam de certificação e passam por auditorias regulares.

A documentação deve rastrear todo o percurso do produto, da coleta à manufatura. O descumprimento das boas práticas pode inviabilizar a autorização de uso das células modificadas.

Cuidados durante o procedimento

Monitoramento e conforto do paciente

Durante a aférese, o paciente é monitorado continuamente: pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e conforto no acesso venoso. O citrato utilizado como anticoagulante pode causar hipocalcemia, com sintomas como formigamento perioral e câimbras.

Nesses casos, reposição de cálcio por via oral ou intravenosa é realizada imediatamente. Ajustes na taxa de infusão do citrato também são adotados para prevenir sintomas mais intensos.

O paciente deve se sentir acolhido e informado durante todo o procedimento.

Após a coleta

Logística e próximas etapas

Imediatamente após a coleta, o concentrado de linfócitos T é acondicionado e enviado ao laboratório de manufatura. Em alguns protocolos, as células são criopreservadas para transporte; em outros, são enviadas frescas com janela de tempo restrita.

A dose celular é conferida antes do envio. O material segue com documentação completa, incluindo dados de viabilidade, identidade do paciente e rastreabilidade da coleta.

O intervalo entre coleta e infusão das células modificadas pode variar de 3 a 6 semanas no Brasil, dependendo da manufatura e da autorização regulatória.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a sessão de aférese para CAR-T? A duração varia entre 2 e 4 horas, podendo se estender conforme o volume a ser processado e a qualidade do acesso venoso. Pacientes com veias de difícil acesso ou baixa contagem de linfócitos podem ter procedimentos mais longos.

É possível atingir a dose ideal com uma só coleta? Nem sempre. Pacientes com histórico de múltiplas linhas de quimioterapia frequentemente apresentam linfopenia, dificultando o rendimento em sessão única. Dados brasileiros mostram que uma parcela significativa dos pacientes necessita de segunda coleta para atingir a dose-alvo de células CD3+.

Quais são os principais riscos do procedimento? Os riscos incluem complicações relacionadas ao cateter venoso central, como infecção e sangramento, além de hipocalcemia pelo citrato, desconforto no acesso venoso e variações de pressão arterial. O monitoramento contínuo durante o procedimento permite identificar e tratar essas intercorrências rapidamente.

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A Verdie acompanha cada etapa do tratamento com células CAR-T, incluindo o planejamento e a execução da aférese. Com expertise técnica e rede de centros especializados, a Verdie orienta pacientes, familiares e equipes médicas sobre os requisitos clínicos, logísticos e regulatórios de cada fase.

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