CAR-T cell para linfoma de células do manto

abril 24, 2026
car-t cell para linfoma de células do manto

O linfoma de células do manto (LCM) é uma neoplasia rara e agressiva de linfócitos B, classificada como um subtipo de linfoma não Hodgkin. Afeta predominantemente homens com mais de 60 anos e costuma ser diagnosticado em estágios avançados.

A terapia CAR-T cell para linfoma de células do manto representa um dos avanços mais significativos para essa doença nas últimas décadas, especialmente para pacientes que já não respondem aos tratamentos convencionais.

O desafio do LCM recidivado ou refratário

O LCM está associado a mutações genéticas que ativam a ciclina D1, promovendo proliferação celular descontrolada.

O diagnóstico envolve biópsia de tecido, análise anatomopatológica, imunoistoquímica e exames genéticos.

Pacientes que recidivam ou não respondem ao tratamento inicial enfrentam prognóstico desfavorável. A mediana de sobrevida global após falha a inibidores de BTK e outras linhas de terapia pode ser inferior a 12 meses com os regimes padrão disponíveis.

É nesse cenário de necessidade não atendida que o brexucabtagene autoleucel (KTE-X19), comercializado como Tecartus®, emergiu como uma alternativa terapêutica de alto impacto.

O que diz a revisão integrativa publicada na Acervo Saúde

Uma revisão integrativa publicada na Revista Eletrônica Acervo Saúde analisou as evidências científicas disponíveis sobre o uso do brexucabtagene autoleucel no tratamento do LCM recidivado ou refratário.

A pesquisa foi conduzida nas bases PubMed, SciELO e BVS, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, incluindo estudos dos últimos cinco anos publicados em inglês, português ou espanhol.

Os autores concluíram que o brexucabtagene autoleucel é uma terapia inovadora e de alta eficácia para pacientes com LCM recidivado ou refratário, consolidando a CAR-T cell como uma das principais opções terapêuticas para essa população.

Para ver o estudo completo clique aqui.

Mecanismo de ação e processo terapêutico

O brexucabtagene autoleucel é uma terapia autóloga anti-CD19 com domínio coestimulador CD28.

As células T do próprio paciente são coletadas por leucaférese e enviadas ao centro de fabricação, onde são modificadas geneticamente para expressar um receptor quimérico de antígeno (CAR) direcionado ao CD19, proteína amplamente expressa nas células B malignas do LCM.

Após a modificação e expansão em laboratório, o produto é devolvido ao centro tratante. Antes da infusão, o paciente recebe quimioterapia linfodepletiva. O tratamento consiste em uma única infusão intravenosa.

O processo completo, da leucaférese à entrega do produto, tem uma mediana de aproximadamente 15 dias, prazo relativamente curto para uma terapia personalizada dessa complexidade.

Eficácia clínica: dados do estudo ZUMA-2

O brexucabtagene autoleucel foi aprovado pelo FDA em julho de 2020 para LCM recidivado ou refratário, com base nos resultados do estudo clínico ZUMA-2, e recebeu aprovação plena definitiva em abril de 2026.

Desfecho clínico Resultado Taxa de resposta objetiva 87% Taxa de remissão completa 62% Pacientes em remissão a 12 meses 57% Mediana de SG vs. padrão (SCHOLAR-2) 46,6 meses vs. 14,2 meses

O acompanhamento de três anos do ZUMA-2, apresentado no ASCO 2022, representou o seguimento mais longo já registrado com uma terapia CAR-T em LCM, confirmando a durabilidade das respostas ao longo do tempo.

Na análise comparativa com o padrão de cuidado histórico, o brexucabtagene autoleucel demonstrou redução significativa do risco de morte, com razão de risco de 0,38 favorável à terapia CAR-T.

Segurança e manejo das toxicidades

Como em outras terapias CAR-T, os eventos adversos mais relevantes são a síndrome de liberação de citocinas (CRS) e as toxicidades neurológicas (ICANS).

No ZUMA-2, a CRS foi observada na maioria dos pacientes, com casos de grau 3 ou superior em cerca de 12% deles. Os eventos neurológicos de grau 3 ou superior foram registrados em aproximadamente 31% dos participantes.

Os efeitos adversos tendem a se manifestar na primeira uma a duas semanas após a infusão e são manejados com tocilizumabe, no caso da CRS, e corticosteroides, para os quadros neurológicos.

Em abril de 2024, o FDA expandiu o alerta em caixa preta do Tecartus® para incluir o risco de malignidades de células T, medida aplicada a todas as terapias CAR-T anti-CD19 e anti-BCMA aprovadas nos Estados Unidos.

O produto foi aprovado com um programa de Estratégia de Avaliação e Mitigação de Risco (REMS), exigindo que o tratamento seja realizado exclusivamente em centros certificados com equipes treinadas para manejo das toxicidades.

Perspectivas para o Brasil

O brexucabtagene autoleucel não possui aprovação pela Anvisa para o LCM ou qualquer outra indicação.

No cenário nacional, pacientes com LCM recidivado ou refratário ainda dependem de esquemas de quimioterapia de resgate ou transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas como alternativas disponíveis.

O crescente desenvolvimento de capacidade instalada em centros brasileiros para terapias CAR-T, impulsionado pelas aprovações do Yescarta® e do Carvykti®, cria infraestrutura favorável para eventual chegada do Tecartus® ao país, caso a empresa submeta pedido de registro à Anvisa.

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