Terapia CAR-T será testada contra lúpus e miastenia gravis no Brasil

agosto 3, 2026
CAR-T será testada contra lúpus e miastenia gravis no Brasil. Entenda como funcionam os novos estudos clínicos.

A terapia CAR-T vai ganhar um novo capítulo no Brasil. Uma parceria entre instituições paulistas vai testar essa tecnologia contra lúpus e miastenia gravis, duas doenças autoimunes graves.

Até agora, a CAR-T era usada principalmente contra cânceres do sangue. Os novos estudos ampliam essa fronteira para doenças crônicas do sistema imunológico.

Quem está por trás da iniciativa

O projeto reúne a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o Instituto Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a USP.

Juntas, essas instituições vão conduzir ensaios clínicos para avaliar segurança e eficácia da terapia. Os estudos ainda precisam ser aprovados pela Anvisa antes de começar.

Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, comentou o objetivo da parceria. Segundo ele, a terapia celular já tem revolucionado o tratamento de câncer e de condições autoimunes.

Kallás afirmou que a meta é levar essa tecnologia avançada aos brasileiros no futuro. Ele destacou ainda a possibilidade de oferta pelo SUS.

Como funciona a terapia CAR-T

A tecnologia CAR-T consiste na modificação genética dos linfócitos T. Essas células fazem parte do sistema imunológico e atuam na defesa do organismo.

O processo começa com a coleta de células do próprio paciente. Em laboratório, elas são alteradas para reconhecer e atacar alvos específicos ligados à doença.

Depois de modificadas, as células são reinfundidas no paciente. Elas passam então a combater diretamente o alvo da doença.

Essa abordagem ganhou destaque primeiro contra cânceres hematológicos, como leucemias e linfomas. Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar também seu uso contra doenças autoimunes.

Quem poderá participar dos estudos

Os ensaios vão recrutar 16 pacientes adultos com lúpus eritematoso sistêmico. Outros dez pacientes com miastenia gravis generalizada também poderão participar.

Os voluntários serão selecionados em dois hospitais ligados à USP. Um fica em Ribeirão Preto e outro na capital paulista.

Os estudos vão focar em casos graves das doenças. Os candidatos precisam já ter passado por pelo menos dois tratamentos convencionais sem resposta adequada.

As doenças que serão tratadas

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica. Ele pode atingir diferentes órgãos e causar febre, perda de peso e fraqueza.

Já a miastenia gravis generalizada compromete a comunicação entre nervos e músculos. Isso gera fraqueza muscular e, em casos mais sérios, dificuldade para falar e engolir.

Ambas as condições têm poucas opções terapêuticas para casos refratários. É justamente esse público que os novos estudos pretendem alcançar.

Histórico da CAR-T no Brasil

O país começou a testar a terapia em 2019, em pacientes com leucemia e linfoma resistentes a tratamentos convencionais. Os resultados mostraram cerca de 80% de eficácia na redução dos tumores.

Desde 2022, Butantan, Hemocentro de Ribeirão Preto e USP desenvolvem versões nacionais da CAR-T. O foco tem sido a leucemia linfoide aguda de células B e o linfoma não Hodgkin.

Esse trabalho acontece no Núcleo de Terapias Avançadas, financiado pela FAPESP. Em 2024, um ensaio clínico de fase 1 apresentou mais de 87% de eficácia em casos graves.

Aspecto

Uso em câncer

Uso em doenças autoimunes

Início dos estudos no Brasil

2019

Ainda não iniciado, aguarda Anvisa

Doenças alvo

Leucemia e linfoma

Lúpus e miastenia gravis

Instituições envolvidas

Butantan, USP, Hemocentro RP

Mesmas instituições

Eficácia registrada

Até 87% em fase 1

Ainda em avaliação

Número de pacientes previstos

Variável por estudo

16 com lúpus, 10 com miastenia

Perguntas frequentes

A terapia CAR-T contra lúpus e miastenia já está disponível?

Não. Os estudos ainda dependem de aprovação da Anvisa para começar os ensaios clínicos.

Quem pode participar dos ensaios?

Pacientes adultos com formas graves de lúpus ou miastenia gravis, atendidos em hospitais ligados à USP.

A CAR-T já funciona contra outras doenças no Brasil?

Sim. A terapia já é estudada contra leucemia e linfoma desde 2019, com resultados de eficácia acima de 80%.

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A chegada da CAR-T às doenças autoimunes marca um avanço importante para a medicina brasileira. Esse tipo de iniciativa mostra como a terapia celular segue expandindo suas fronteiras.

A Verdie acompanha de perto cada novo passo da CAR-T no Brasil e no mundo. Nosso compromisso é levar informação clara e atualizada sobre essas terapias inovadoras.

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