USP, Hemocentro de Ribeirão Preto e Institut Curie firmam parceria para combater linfoma no cérebro

janeiro 30, 2026
USP, Hemocentro de Ribeirão Preto e Institut Curie lançam parceria inédita para estudar terapia celular contra linfoma no cérebro com ensaio clínico até 2026.

Uma cooperação científica inédita entre a Universidade de São Paulo (USP), o Hemocentro de Ribeirão Preto e o Institut Curie, da França, está abrindo novas frentes de pesquisa no tratamento de um dos tumores mais desafiadores da oncologia: o linfoma que afeta o cérebro e o sistema nervoso central. Essa parceria busca unir expertise brasileira em terapia celular com tecnologias desenvolvidas na Europa, com o objetivo de criar e testar abordagens terapêuticas inovadoras para pacientes que não responderam às opções convencionais de tratamento.

O linfoma no cérebro, também chamado de linfoma primário do sistema nervoso central, é um subtipo raro e agressivo de linfoma não-Hodgkin que se desenvolve no cérebro ou na medula espinhal. Por sua localização e características biológicas, ele costuma ser resistente às terapias padrão, como quimioterapia tradicional, o que torna a pesquisa de novas abordagens extremamente relevante.

O projeto de cooperação internacional foi anunciado durante reuniões científicas entre pesquisadores brasileiros e franceses, que incluíram intercâmbio de conhecimento entre laboratórios e discussões sobre protocolos de estudo clínico. A ideia central é criar um ensaio clínico binacional, que poderá começar a tratar pacientes entre 2025 e 2026, com participação estimada de cerca de 20 a 30 voluntários de ambos os países, sob rigorosos protocolos de segurança e avaliação da eficácia terapêutica.

O que está por trás da parceria Brasil–França em linfoma cerebral

A parceria entre as instituições começou a ganhar forma a partir de 2024, quando equipes do Hemocentro de Ribeirão Preto e da USP participaram de intercâmbios científicos com pesquisadores do Institut Curie, referência mundial em pesquisa oncológica. Essa cooperação foi motivada pela identificação de sinergias entre as linhas de pesquisa: o Hemocentro já desenvolve terapias celulares avançadas, como as células CAR-T para linfoma em sangue, e o grupo francês tem experiência em terapias similares para tumores do sistema nervoso central.

O acordo prevê que pesquisadores brasileiros e franceses desenvolvam em conjunto um estudo clínico cuidadosamente planejado, que incluirá protocolos definidos por comitês de ética, aprovação de autoridades regulatórias e monitoramento científico contínuo ao longo do processo. O objetivo não é apenas testar a segurança e eficácia de novas terapias, mas também permitir transferência de tecnologia que possa, no futuro, facilitar a incorporação desses tratamentos ao Brasil.

Essa colaboração também inclui troca de conhecimento em técnicas laboratoriais de produção de células modificadas e análise de dados clínicos e biológicos, o que amplia a capacidade investigativa brasileira em terapias celulares inovadoras.

Por que essa cooperação é relevante para a oncologia mundial?

O desenvolvimento de imunoterapias para linfoma no cérebro representa um desafio significativo porque o sistema nervoso central possui barreiras biológicas únicas, como a barreira hematoencefálica, que dificulta que tratamentos convencionais cheguem ao tecido tumoral com eficácia. A união entre centros de pesquisa de ponta busca superar essas limitações utilizando estratégias baseadas em terapia celular avançada, que envolvem modificação genética de células imunes do paciente para atacar o tumor de forma mais precisa e potente.

O Instituto Curie é historicamente um dos centros mais importantes da Europa no estudo de câncer e terapias experimentais, com décadas de experiência em imunoterapia e abordagens moleculares de precisão. A USP, por sua vez, tem consolidado infraestrutura de pesquisa e produção em terapia celular no Brasil — incluindo o Nutera, núcleo de terapia avançada que já produziu células CAR-T para tratamento de outros tipos de linfoma — e um histórico de colaboração em estudos clínicos inovadores.

O estudo clínico planejado não apenas buscará benefícios individuais para pacientes com linfoma cerebral, mas também pode gerar dados científicos valiosos, que contribuirão para a compreensão global de tumores cerebrais e terapias celulares no contexto de oncologia. As metodologias e resultados poderão influenciar protocolos internacionais e acelerar avanços terapêuticos em doenças difíceis de tratar.

Perspectivas futuras e impacto no Brasil

Se as etapas científicas e regulatórias forem concluídas conforme o cronograma, o estudo clínico poderá iniciar tratamentos já em 2026, com inclusão de pacientes brasileiros e franceses, o que reforça o caráter colaborativo e global da pesquisa.

Além do impacto imediato sobre pacientes com linfoma no cérebro, essa parceria pode abrir caminho para outras pesquisas conjuntas e ampliação de terapias celulares para diferentes tipos de tumores e doenças complexas. A transferência de tecnologia e o compartilhamento de protocolos entre os centros adicionam um valor estratégico importante para a ciência brasileira e sua capacidade de inovar em oncologia.

Inovação em alianças científicas e cuidados clínicos

A cooperação entre a USP, o Hemocentro de Ribeirão Preto e o Institut Curie representa um passo relevante no avanço da pesquisa oncológica, especialmente quando se trata de tumores raros e agressivos como o linfoma que atinge o cérebro. A combinação de expertise, recursos e redes científicas de ambos os países cria um ambiente propício para avanços que podem beneficiar pacientes hoje e no futuro.

Se você quer acompanhar de perto o desenvolvimento de terapias celulares avançadas no Brasil, entender implicações clínicas e científicas dessa colaboração e como ela pode impactar tratamentos oncológicos, acesse o conteúdo especializado da Verdie e fique por dentro das principais conclusões e análises sobre terapias inovadoras no país. Saiba mais!

Precisa de suporte?

Prestamos suporte para diferentes tipos de necessidades: de pacientes que necessitam reivindicar seus direitos à médicos procurando orientar seus pacientes e/ou clínicas desejando montar centros de tratamento.

Publicações relacionadas

Procurando algo?