Seminário da CBDL detalha as terapias avançadas no Brasil, inclusive CAR-T cell

maio 30, 2026
Seminário da CBDL reúne especialistas para debater CAR-T cell, CRISPR e terapias avançadas no Brasil. Veja os principais destaques do evento.

No dia 28 de abril de 2026, o Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, recebeu um evento de alto impacto para a saúde brasileira. A Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) organizou um seminário dedicado às terapias avançadas, com foco especial nas células CAR-T. O painel central debateu os desafios de levar pesquisas inovadoras à produção clínica real.

O evento reuniu especialistas de referência nacional, com moderação da Dra. Fotini Toscas, da SCTIE do Ministério da Saúde. As apresentações abordaram regulação, acesso, custos e perspectivas futuras. Cada palestrante trouxe uma dimensão diferente dessa equação complexa, revelando os avanços e os entraves que ainda limitam o alcance dessas terapias no Brasil.

Anvisa e os desafios regulatórios dos produtos de terapias avançadas

O Dr. João Batista Jr., da Gerência de Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas (GSCTO) da Anvisa, abriu as discussões. Ele apresentou o conceito de Produtos de Terapias Avançadas (PTAs) e os desafios de regular inovações tão aceleradas.

Batista Jr. destacou a necessidade de uma inteligência regulatória que equilibre inovação, segurança e acesso equitativo. Ele também discorreu sobre os ciclos de vida dos PTAs, incluindo estudos, registros e farmacovigilância pós-registro.

Para o representante da Anvisa, o monitoramento contínuo é indispensável após a aprovação de qualquer terapia avançada. Segundo ele, planos de gerenciamento de risco, cooperação internacional e decisões regulatórias ágeis serão cada vez mais necessários nesse cenário.

CAR-T cell no Hemocentro de Ribeirão Preto

O Dr. Rodrigo Calado, do NUTERA e do Hemocentro de Ribeirão Preto, apresentou o funcionamento da terapia CAR-T e sua aplicação prática. Ele descreveu as etapas do processo produtivo: coleta, seleção de células T, modificação genética, expansão celular e devolução ao paciente.

Calado traçou uma linha do tempo da terapia CAR-T, com o primeiro caso de linfoma tratado em 2010. Apesar dos resultados impressionantes, como a regressão tumoral em 30 dias, o custo permanece um obstáculo crítico.

"No Brasil, um pouco mais de 100 casos são tratados por CAR-T. Isso é uma toxicidade financeira", afirmou o especialista, referindo-se ao custo de cerca de 4 milhões de reais por tratamento. Ele também mencionou um estudo clínico multicêntrico com 81 pacientes com nefrite lúpica, realizado em parceria com USP, Unicamp, Beneficência Portuguesa e Sírio-Libanês.

CAR-T e o mieloma múltiplo no SUS

O Dr. Vanderson Rocha, do HC/FMUSP e presidente da Fundação Pró Sangue, centrou sua fala no mieloma múltiplo e no acesso via sistema público. Ele lembrou que mais de 75% da população brasileira depende exclusivamente do SUS.

O mieloma múltiplo é um câncer da medula óssea com cerca de 4.800 a 5.000 novos casos por ano no Brasil. Sem opções de resgate adequadas, o prognóstico historicamente era de óbito em quatro anos.

Rocha destacou a iniciativa do NUTERA, uma joint venture entre o Instituto Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a Fundação Pró Sangue, como uma aposta concreta para democratizar o acesso à terapia CAR-T. A proposta é produzir o tratamento dentro do ecossistema do SUS, mudando o paradigma de acesso a essa tecnologia.

CRISPR e a doença falciforme

Tecnologia

Aplicação principal

Custo estimado

Estágio no Brasil

CAR-T cell

Linfomas, mieloma, autoimunes

~R$ 4 milhões

Produção nacional em desenvolvimento

CRISPR

Anemia falciforme

US$ 2 a 3 milhões

Estudos clínicos em andamento

O Dr. Bruno Solano, do Instituto D'Or de Pesquisa e Educação, apresentou a tecnologia CRISPR aplicada à doença falciforme. Trata-se de uma ferramenta de edição genética de alta precisão, capaz de cortar, substituir ou inserir sequências de DNA.

Solano alertou para a dimensão do problema: são estimados 100 mil casos de anemia falciforme no Brasil, com 18 mil de fenótipos graves e 15 mil pacientes elegíveis para novos tratamentos. Nos testes clínicos globais, com 60 pacientes, a taxa de resposta chegou a 100%.

Ainda assim, o custo elevadíssimo e a complexidade do processo produtivo seguem como barreiras à incorporação no SUS. Para o pesquisador, reduções drásticas de custo são imprescindíveis para que essa terapia alcance quem mais precisa.

Doenças autoimunes e neurológicas no horizonte do CAR-T

A Dra. Mariana Kerbauy, do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), encerrou o seminário com uma apresentação sobre aplicações emergentes da terapia CAR-T cell em doenças autoimunes e neurológicas.

Ela apresentou resultados em condições como lúpus, esclerose sistêmica, miosite, esclerose múltipla, miastenia gravis e Síndrome da Pessoa Rígida. Em miastenia gravis, a taxa de resposta foi de 100%. Na Síndrome da Pessoa Rígida, 46% dos pacientes conseguiram andar com mais rapidez após o tratamento.

A médica apontou para um futuro com terapias alogênicas, CAR-T in vivo e variantes como o CAAR-T. Porém, foi direta sobre os desafios: acesso, criação de centros especializados, tempo de fabricação e distribuição global ainda limitam a expansão dessas terapias. "A eficácia é notável e há um campo promissor para o tratamento de enfermidades", concluiu a especialista.

Acompanhe os avanços das terapias celulares com a Verdie ao seu lado

O seminário da CBDL reforça o que a Verdie acompanha de perto há anos: o Brasil está construindo as bases para uma nova era em terapias avançadas. O caminho é desafiador, mas os avanços são reais e cada vez mais próximos dos pacientes brasileiros.

A Verdie atua como referência estratégica em células CAR-T no Brasil, conectando pacientes, médicos, gestores e pesquisadores às informações mais atualizadas sobre esse campo. Acesse verdie.com.br e conheça tudo que a Verdie oferece para quem busca orientação qualificada sobre terapias celulares avançadas.

Fonte: CBDL – Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial. "Seminário da CBDL detalha as terapias avançadas no Brasil". Publicado em 5 de maio de 2026.

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