CAR-T na EULAR 2026 mostra avanços contra doenças reumáticas refratárias

agosto 4, 2026
EULAR 2026 apresenta avanços da terapia CAR-T em artrite reumatoide, lúpus e esclerose sistêmica refratárias.

Sumário

O Congresso EULAR 2026 trouxe dados inéditos sobre terapia CAR-T em doenças reumáticas. Os tratamentos atuais para artrite reumatoide dependem de imunossupressão contínua. Isso torna rara a remissão sustentada sem uso de medicamentos.

Novos relatos apresentados no evento sugerem uma alternativa. A terapia com células CAR-T direcionada ao CD19 pode oferecer resultados mais duradouros. Este artigo resume os principais estudos apresentados no congresso.

Resultados do estudo COMPARE em artrite reumatoide

Em apresentação oral no dia 3 de junho, Fredrik Albach mostrou dados da fase 1 do estudo COMPARE. O tratamento usado foi o mivocabtagene autoleucel, uma CAR-T autóloga direcionada ao CD19.

O estudo envolveu seis pacientes com artrite reumatoide refratária e positiva para ACPA. O tratamento foi bem tolerado pela maioria dos participantes.

A síndrome de liberação de citocinas ficou limitada a casos leves a moderados. Não houve neurotoxicidade nem toxicidades inesperadas durante o acompanhamento.

As células CAR-T se expandiram rapidamente, com pico em até três semanas. Houve depleção eficaz de células B no sangue e nos tecidos.

Os autoanticorpos caíram de forma expressiva, com redução mediana acima de 90%. Quatro pacientes normalizaram os níveis de ACPA de forma sustentada.

Todos os participantes reduziram a atividade da doença. A queda mediana no escore DAS28-CRP foi de 49%.

Metade dos pacientes atingiu remissão sustentada sem precisar de imunossupressão contínua. Apenas um paciente precisou retomar glicocorticoides após recaída moderada.

CAR-T de alvo duplo na esclerose sistêmica

Outro grupo de pesquisadores apresentou a primeira experiência multicêntrica com CAR-T de alvo duplo CD19/BCMA. O estudo incluiu 11 pacientes com esclerose sistêmica refratária.

Todos os participantes alcançaram rápida aplasia de células B. Os escores de espessamento da pele melhoraram de forma significativa em relação ao início do estudo.

Cerca de 73% dos pacientes atingiram baixa atividade da doença. A incapacidade funcional, medida pelo HAQ-DI, caiu de 1,0 para 0,2.

A progressão pulmonar também respondeu bem ao tratamento. Tomografias de alta resolução confirmaram regressão das alterações intersticiais em 80% dos casos.

Nenhuma recaída foi registrada durante o acompanhamento. Um paciente com síndrome de sobreposição precisou de retratamento e alcançou remissão após a segunda infusão.

Ao comentar os resultados, a pesquisadora Yajing Zhang, do Hospital GoBroad Boren, em Pequim, descreveu a abordagem como uma estratégia de reinicialização imunológica com potencial curativo real.

Efeitos da terapia CAR-T no microbioma intestinal

A terapia CAR-T direcionada ao CD19 remodela profundamente a imunidade adaptativa. Por isso, Yuichi Maeda e sua equipe investigaram os efeitos sobre o microbioma intestinal.

O estudo avaliou pacientes com lúpus, esclerose sistêmica ou miopatia inflamatória tratados com zorpcabtagene autoleucel. Todos apresentavam diversidade microbiana intestinal reduzida antes do tratamento.

Essa redução permaneceu presente seis meses após a terapia. Também foi observado aumento temporário de bactérias do gênero Streptococcus, que depois normalizou.

Pacientes com recuperação tardia de células B tinham níveis basais mais baixos de IgA fecal. Isso sugere que o estado imunológico intestinal pode influenciar a recuperação após a CAR-T.

Nova tecnologia E-CAR busca reduzir toxicidade

Os CAR-T convencionais de segunda geração podem gerar sinalização acima do nível fisiológico. Isso aumenta o risco de toxicidades como CRS e neurotoxicidade.

Para resolver esse problema, pesquisadores desenvolveram o construto E-CAR. A tecnologia incorpora o domínio CD3ε para otimizar a transdução de sinais.

Xiaobing Wang apresentou o primeiro uso da tecnologia em humanos, em quatro pacientes com lúpus ou esclerose sistêmica. Os resultados mostraram remissão profunda em nível tecidual.

O perfil de segurança também foi superior aos modelos convencionais. As células E-CAR-T ainda mostraram diferenciação para um fenótipo de memória residente em tecidos.

Comparativo dos estudos apresentados na EULAR 2026

Estudo

Alvo terapêutico

Doença tratada

Principal achado

COMPARE (Albach)

CD19

Artrite reumatoide refratária

Remissão sustentada em metade dos pacientes

Zhang et al.

CD19/BCMA

Esclerose sistêmica refratária

Melhora cutânea e pulmonar em 73% dos casos

Maeda et al.

CD19

Lúpus, esclerose sistêmica, miopatia

Alterações duradouras no microbioma intestinal

Wang et al. (E-CAR)

CD3ε otimizado

Lúpus e esclerose sistêmica

Remissão profunda com menor toxicidade

Perguntas frequentes

A terapia CAR-T já é usada para doenças reumáticas no Brasil?

Ainda não. Os estudos apresentados na EULAR 2026 são pesquisas clínicas em fase inicial, conduzidas fora do Brasil.

Quais doenças reumáticas podem se beneficiar da CAR-T?

Os dados mais recentes envolvem artrite reumatoide refratária, lúpus, esclerose sistêmica e miopatias inflamatórias. Todas resistentes aos tratamentos convencionais.

A terapia CAR-T é segura para pacientes reumáticos?

Os estudos mostraram tolerabilidade satisfatória. Os efeitos colaterais graves, como neurotoxicidade, não foram observados na maioria dos casos relatados.

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