Linfoma Difuso de Grandes Células B (DLBCL): a principal indicação do CAR-T

O Linfoma Difuso de Grandes Células B (DLBCL) é o subtipo mais comum de linfoma não Hodgkin, representando cerca de 30% dos casos em todo o mundo. Apesar dos avanços terapêuticos, uma parcela dos pacientes apresenta DLBCL recidivado ou refratário, ou seja, a doença retorna após o tratamento ou não responde aos protocolos convencionais.
Nos últimos anos, a terapia com células CAR-T emergiu como uma alternativa revolucionária para esses casos, oferecendo taxas de resposta superiores e possibilidades reais de cura. Este artigo explica por que o DLBCL recidivado e refratário é a principal indicação do CAR-T, detalhando o mecanismo de ação, resultados clínicos, critérios de elegibilidade e comparações com outras terapias disponíveis.
O que é o DLBCL recidivado e refratário
O DLBCL (Linfoma Difuso de Grandes Células B) é um câncer agressivo do sistema linfático, originado nos linfócitos B — células responsáveis pela produção de anticorpos. Apesar de responder bem à quimioterapia de primeira linha, especialmente ao esquema R-CHOP, cerca de 30% a 40% dos pacientes recaem ou não apresentam resposta completa.
Nesses casos, o linfoma é classificado como recidivado (quando retorna após remissão) ou refratário (quando não responde ao tratamento inicial). Esses pacientes enfrentam um prognóstico desfavorável, com opções terapêuticas limitadas e sobrevida global reduzida, tornando necessária uma abordagem inovadora — papel hoje ocupado pela terapia com células CAR-T.
Características clínicas e desafios do tratamento
Pacientes com DLBCL recidivado e refratário costumam apresentar progressão rápida da doença, resistência à quimioterapia e comprometimento de múltiplos órgãos.
Os desafios principais incluem:
- Falha terapêutica após transplante autólogo de medula óssea;
- Toxicidade cumulativa de quimioterápicos;
- Escassez de opções eficazes para pacientes idosos ou fragilizados;
- Necessidade de tratamentos individualizados e com ação imunológica direcionada.
Esses fatores impulsionaram o desenvolvimento de terapias celulares capazes de reprogramar o sistema imunológico para combater o câncer de forma mais específica e duradoura.
O papel da terapia com CAR-T no manejo da doença
A terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-Cell) é hoje considerada a principal indicação terapêutica para o DLBCL recidivado e refratário.
Ela atua modificando geneticamente os linfócitos T do próprio paciente, para que passem a reconhecer e destruir células tumorais que expressam o antígeno CD19 — presente na maioria dos linfomas B.
Os estudos clínicos demonstram que, em pacientes sem resposta a múltiplas linhas de tratamento, as taxas de resposta global variam de 50% a 80%, com remissão completa em até 40% dos casos. Esses resultados são expressivos frente à limitada eficácia de outras abordagens convencionais.
Mecanismo de ação das células CAR-T
O processo envolve várias etapas controladas e personalizadas:
- Coleta das células T do paciente (leucoferese);
- Modificação genética em laboratório, inserindo o gene do receptor quimérico (CAR) que reconhece o antígeno CD19;
- Expansão e multiplicação das células modificadas;
- Reinfusão no paciente, após uma quimioterapia leve de linfodepleção;
- Ataque direcionado às células tumorais, mediado por uma resposta imune intensa e sustentada.
Esse mecanismo transforma as próprias células do paciente em um “medicamento vivo”, capaz de buscar e eliminar o câncer de forma autônoma.
Eficácia e resultados clínicos do tratamento
Estudos como o ZUMA-1, JULIET e TRANSCEND consolidaram a eficácia do CAR-T em DLBCL recidivado e refratário.
De acordo com os dados mais recentes:
- Taxa de resposta global (ORR): 52% a 83%;
- Taxa de resposta completa (CR): até 46%;
- Sobrevida global em 2 anos: em torno de 50% em pacientes previamente sem alternativas terapêuticas.
Além disso, muitos pacientes permanecem em remissão duradoura, evidenciando o potencial curativo da terapia — algo raramente observado em terapias de resgate convencionais.
Critérios para indicação de terapia com CAR-T
A terapia CAR-T é indicada principalmente para pacientes com:
- DLBCL recidivado ou refratário após duas ou mais linhas de tratamento;
- Falha após transplante autólogo ou inelegibilidade para o procedimento;
- Doença expressando o antígeno CD19;
- Estado clínico geral adequado para suportar o tratamento (ECOG 0-2).
A decisão terapêutica deve ser feita por equipe multidisciplinar, incluindo hematologistas, oncologistas e especialistas em terapia celular, garantindo avaliação individualizada de riscos e benefícios.
Comparação com outras opções terapêuticas
O CAR-T se destaca pela magnitude da resposta e durabilidade dos resultados, diferindo significativamente de outras abordagens.
Terapia | Taxa de resposta global (ORR) | Limitações principais |
Quimioterapia de resgate | 20%–30% | Toxicidade elevada e respostas curtas |
Transplante autólogo | 40%–50% | Nem todos os pacientes são elegíveis |
Anticorpos biespecíficos | 50%–60% | Efeitos ainda sob estudo a longo prazo |
CAR-T Cell (CD19) | 70%–80% | Alto custo e toxicidades imunológicas controláveis |
Embora o CAR-T ainda enfrente desafios logísticos e financeiros, ele se consolida como a terapia mais eficaz disponível para DLBCL recidivado e refratário, redefinindo o padrão de tratamento e abrindo caminho para abordagens de segunda geração.
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O DLBCL recidivado e refratário representa um dos maiores desafios da hematologia oncológica, mas os avanços em terapia com células CAR-T transformaram o cenário do tratamento. Com respostas duradouras e possibilidade real de cura, essa abordagem vem mudando o prognóstico de pacientes antes sem alternativas eficazes.
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