Critérios de elegibilidade para Terapia CAR-T Cell: quem pode e quem não pode fazer?

A terapia CAR-T Cell representa um avanço revolucionário no tratamento de certos tipos de câncer, oferecendo uma nova esperança para pacientes que não respondem a terapias convencionais. No entanto, nem todos os pacientes são candidatos a esse tratamento, sendo necessário avaliar cuidadosamente quem pode se beneficiar da terapia e quem não é elegível.
Os critérios de elegibilidade consideram fatores clínicos, como tipo e estágio do câncer, estado geral de saúde, presença de comorbidades e histórico de tratamentos prévios. Além disso, aspectos relacionados à função do sistema imunológico e à capacidade do paciente de suportar possíveis efeitos colaterais graves, como a Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e a neurotoxicidade ICANS, são fundamentais.
Geralmente a avaliação inicial inclui exames de função cardíaca, renal, hepática, pulmonar e exame neurológico basal, semelhante à um TMO autólogo ou alogênico.
Entender esses critérios é essencial tanto para pacientes quanto para familiares, pois garante que a terapia seja aplicada de forma segura e eficaz. Neste artigo, vamos detalhar os principais fatores de inclusão e exclusão, ajudando a esclarecer dúvidas comuns e a orientar decisões médicas e pessoais em relação à terapia CAR-T Cell.
Tipos de câncer elegíveis para a terapia CAR-T
A terapia CAR-T Cell é indicada para pacientes com determinados tipos de câncer hematológico que não responderam a tratamentos convencionais. Entre as doenças elegíveis estão:
- Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B: afeta principalmente crianças e jovens adultos e envolve o crescimento descontrolado de linfócitos B imaturos.
- Linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B: caracterizado pelo crescimento anormal de linfócitos B no sistema linfático, podendo afetar gânglios, baço e medula óssea.
- Mieloma Múltiplo: câncer da medula óssea que compromete a produção de células sanguíneas e anticorpos, enfraquecendo o sistema imunológico.
- Critério comum: todas as doenças devem estar recidivadas ou refratárias, ou seja, que não responderam a tratamentos convencionais.
Essas condições geralmente são consideradas recidivadas ou refratárias, ou seja, retornam após o tratamento ou não respondem às terapias padrão.
A escolha da terapia CAR-T depende de critérios específicos de cada paciente, incluindo a carga tumoral e o histórico de tratamentos prévios. A personalização do tratamento garante que as células CAR-T sejam direcionadas de forma eficaz contra o tipo específico de célula B maligna, aumentando as chances de sucesso e remissão da doença.
O acompanhamento médico constante é essencial para monitorar a eficácia do tratamento e gerenciar possíveis efeitos colaterais, garantindo que a terapia CAR-T seja aplicada de forma segura e estratégica.
Condições clínicas e estado de saúde necessários
Para ser elegível à terapia CAR-T Cell, o paciente deve apresentar um estado de saúde geral estável, capaz de suportar os efeitos colaterais potencialmente graves do tratamento.
É fundamental que funções vitais, como cardíaca, pulmonar e renal, estejam preservadas, garantindo que o organismo possa lidar com o estresse provocado pela ativação intensa do sistema imunológico.
A avaliação inclui exames clínicos detalhados, testes laboratoriais e análise de histórico médico, permitindo identificar com precisão se o paciente consegue tolerar a terapia. Além disso, a equipe médica considera a capacidade do paciente de resistir à Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e à neurotoxicidade ICANS, efeitos adversos comuns da CAR-T.
A estabilidade do estado geral de saúde não apenas protege o paciente, mas também otimiza os resultados do tratamento, aumentando a probabilidade de remissão e melhorando a qualidade de vida durante o processo terapêutico. O preparo clínico adequado é, portanto, um dos pilares da segurança e eficácia da terapia CAR-T Cell.
Avaliação mínima recomendada para determinação de elegibilidade e para o uso clínico de células CAR-T.
| Avaliação | Comentário |
|---|---|
| Exame físico geral | Basal |
| Exame neurológico | Basal |
| Exames de confirmação da doença (refratariedade/recaída) | Histológico para Linfoma/Mieloma Múltiplo. Imunofenotipagem para Leucemia Linfóide Aguda. |
| Ecocardiograma | Requer FEVE >40%. |
| ECG | Basal |
| Clearance de creatinina | Requer >30mL/min. Cuidado para paciente com Clearance <60mL/min. |
| Eletrólitos (Sódio, Potássio, Cálcio, Fósforo) | A aférese para coleta linfocitária pode precipitar distúrbios hidroeletrolíticos. Para avaliação de risco de Síndrome de Lise Tumoral. |
| Ácido úrico | Para avaliação de risco de Síndrome de Lise Tumoral |
| LDH | Para avaliação de risco de Síndrome de Lise Tumoral e carga tumoral. |
| ALT/AST | Recomenda-se <5 x LSN (exceto se atribuída a infi ltração hepática pela doença de base). |
| Bilirrubina | Recomenda-se BT <2 mg/dL |
| Hemograma | Recomenda-se Neutrófi los > 1.000/ mm³ |
| Proteína C reativa | Recomendada para avaliar infecção em atividade |
| HIV | A positividade contraindica a coleta e processamento celular por alguns fornecedores de produtos CAR-T comerciais. |
| Hepatite B | A positividade contraindica a coleta e processamento celular por alguns fornecedores de produtos CAR-T comerciais. É recomendado profi laxia contra o vírus da hepatite B para pacientes com sorologia positiva indicando infecção, com ou sem replicação viral, pelo período mínimo de 6 meses. Iniciar antes do condicionamento. |
| Hepatite C | A positividade contraindica a coleta e processamento celular por alguns fornecedores de produtos CAR-T comerciais |
| Sorologia para Chagas | Não contraindica o procedimento. Monitorar. |
| Sorologia para Citomegalovírus | Não contraindica o procedimento. Monitorar. |
| HTLV-1 | Não contraindica o procedimento. Monitorar. |
| Teste sorológico para Sífilis | Não contraindica o procedimento. Realizar tratamento previamente ao uso de CAR-T. |
| Dosagem de imunoglobulinas | Basal |
| Quantificação de CD4 | Basal |
| Imagem de SNC (RNM) | Obrigatório se história prévia de infiltração de SNC ou sintomas neurológicos. Porém, recomenda-se RNM basal em todo paciente antes do uso de CAR-T. |
| Punção liquórica | Apenas se história prévia de infiltração de SNC ou sintomas neurológicos |
| Teste de gravidez | Sérico ou urinário. Deve estar negativo antes da leucoaferese e antes do início da linfodepleção. |
Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas
Avaliação do desempenho e histórico médico
Antes de iniciar a terapia CAR-T Cell, os médicos realizam uma avaliação detalhada do desempenho funcional do paciente, geralmente utilizando a escala ECOG, que mede a capacidade de realizar atividades diárias e a tolerância a tratamentos intensivos. Um bom status de desempenho é essencial para reduzir riscos e aumentar a probabilidade de sucesso da terapia.
Além disso, é necessário avaliar o histórico médico completo, incluindo a presença de outras neoplasias ativas, doenças crônicas e terapias prévias realizadas. Pacientes com múltiplos tratamentos anteriores podem apresentar maior risco de efeitos adversos ou menor resposta ao tratamento.
Outro fator importante é a reserva de medula óssea, que deve ser suficiente para suportar o processo de reinfusão das células CAR-T e permitir a recuperação da função hematológica. A idade do paciente também é considerada, pois influencia a tolerância ao tratamento e a recuperação pós-terapia.
Essa análise detalhada garante que apenas pacientes que atendam a critérios clínicos rigorosos sejam submetidos à terapia, aumentando a segurança e a eficácia do procedimento.
Fatores que podem impedir a elegibilidade
Nem todos os pacientes com câncer hematológico são elegíveis para a terapia CAR-T Cell. Certas condições clínicas e históricas podem tornar o tratamento inadequado ou arriscado, sendo necessário avaliar cuidadosamente cada caso. Entre os fatores de exclusão estão doenças graves concomitantes, como insuficiência cardíaca, respiratória ou renal descompensada, que podem comprometer a tolerância ao procedimento.
A presença de neoplasias ativas adicionais também é um critério de exclusão, pois aumenta o risco de complicações e interfere na eficácia do tratamento. Pacientes com estado de saúde instável ou debilitado podem não suportar os efeitos adversos, como a Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e a neurotoxicidade ICANS.
Outros fatores incluem idade avançada, baixa reserva de medula óssea e histórico de múltiplas terapias prévias que comprometeram o sistema imunológico. A avaliação criteriosa desses elementos garante que a terapia seja aplicada apenas a pacientes com maior chance de sucesso, reduzindo riscos e otimizando os resultados clínicos.
Como a Verdie apoia pacientes na terapia CAR-T
A Verdie oferece suporte completo para pacientes que estão avaliando ou realizando a terapia CAR-T Cell. A equipe auxilia na compreensão dos critérios de elegibilidade, esclarece dúvidas sobre potenciais riscos e efeitos colaterais e orienta sobre o acompanhamento clínico necessário durante todo o processo.
Com orientação especializada e atendimento personalizado, a Verdie garante que pacientes e familiares recebam informações claras, confiáveis e atualizadas, aumentando a segurança e a confiança no tratamento.
Entre em contato com a Verdie e descubra como receber suporte completo na avaliação de elegibilidade e na condução segura da terapia CAR-T Cell.
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