Critérios de elegibilidade para Terapia CAR-T Cell: quem pode e quem não pode fazer?

setembro 10, 2025
Saiba quem pode fazer a terapia CAR-T Cell, conheça critérios de elegibilidade, fatores de exclusão e como a Verdie oferece suporte especializado.

A terapia CAR-T Cell representa um avanço revolucionário no tratamento de certos tipos de câncer, oferecendo uma nova esperança para pacientes que não respondem a terapias convencionais. No entanto, nem todos os pacientes são candidatos a esse tratamento, sendo necessário avaliar cuidadosamente quem pode se beneficiar da terapia e quem não é elegível.

Os critérios de elegibilidade consideram fatores clínicos, como tipo e estágio do câncer, estado geral de saúde, presença de comorbidades e histórico de tratamentos prévios. Além disso, aspectos relacionados à função do sistema imunológico e à capacidade do paciente de suportar possíveis efeitos colaterais graves, como a Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e a neurotoxicidade ICANS, são fundamentais.

Geralmente a avaliação inicial inclui exames de função cardíaca, renal, hepática, pulmonar e exame neurológico basal, semelhante à um TMO autólogo ou alogênico. 

Entender esses critérios é essencial tanto para pacientes quanto para familiares, pois garante que a terapia seja aplicada de forma segura e eficaz. Neste artigo, vamos detalhar os principais fatores de inclusão e exclusão, ajudando a esclarecer dúvidas comuns e a orientar decisões médicas e pessoais em relação à terapia CAR-T Cell.

Tipos de câncer elegíveis para a terapia CAR-T

A terapia CAR-T Cell é indicada para pacientes com determinados tipos de câncer hematológico que não responderam a tratamentos convencionais. Entre as doenças elegíveis estão:

  • Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B: afeta principalmente crianças e jovens adultos e envolve o crescimento descontrolado de linfócitos B imaturos.
  • Linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B: caracterizado pelo crescimento anormal de linfócitos B no sistema linfático, podendo afetar gânglios, baço e medula óssea.
  • Mieloma Múltiplo: câncer da medula óssea que compromete a produção de células sanguíneas e anticorpos, enfraquecendo o sistema imunológico.
  • Critério comum: todas as doenças devem estar recidivadas ou refratárias, ou seja, que não responderam a tratamentos convencionais.

Essas condições geralmente são consideradas recidivadas ou refratárias, ou seja, retornam após o tratamento ou não respondem às terapias padrão. 

A escolha da terapia CAR-T depende de critérios específicos de cada paciente, incluindo a carga tumoral e o histórico de tratamentos prévios. A personalização do tratamento garante que as células CAR-T sejam direcionadas de forma eficaz contra o tipo específico de célula B maligna, aumentando as chances de sucesso e remissão da doença.

O acompanhamento médico constante é essencial para monitorar a eficácia do tratamento e gerenciar possíveis efeitos colaterais, garantindo que a terapia CAR-T seja aplicada de forma segura e estratégica.

Condições clínicas e estado de saúde necessários

Para ser elegível à terapia CAR-T Cell, o paciente deve apresentar um estado de saúde geral estável, capaz de suportar os efeitos colaterais potencialmente graves do tratamento. 

É fundamental que funções vitais, como cardíaca, pulmonar e renal, estejam preservadas, garantindo que o organismo possa lidar com o estresse provocado pela ativação intensa do sistema imunológico.

A avaliação inclui exames clínicos detalhados, testes laboratoriais e análise de histórico médico, permitindo identificar com precisão se o paciente consegue tolerar a terapia. Além disso, a equipe médica considera a capacidade do paciente de resistir à Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e à neurotoxicidade ICANS, efeitos adversos comuns da CAR-T.

A estabilidade do estado geral de saúde não apenas protege o paciente, mas também otimiza os resultados do tratamento, aumentando a probabilidade de remissão e melhorando a qualidade de vida durante o processo terapêutico. O preparo clínico adequado é, portanto, um dos pilares da segurança e eficácia da terapia CAR-T Cell.

Avaliação mínima recomendada para determinação de elegibilidade e para o uso clínico de células CAR-T.

Segundo Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas:

AvaliaçãoComentário
Exame físico geralBasal
Exame neurológicoBasal
Exames de confirmação da doença (refratariedade/recaída)Histológico para Linfoma/Mieloma Múltiplo. Imunofenotipagem para Leucemia Linfóide Aguda.
EcocardiogramaRequer FEVE >40%.
ECGBasal
Clearance de creatinina Requer >30mL/min. Cuidado para paciente com Clearance <60mL/min.
Eletrólitos (Sódio, Potássio, Cálcio, Fósforo) A aférese para coleta linfocitária pode precipitar distúrbios hidroeletrolíticos. Para avaliação de risco de Síndrome de Lise Tumoral.
Ácido úricoPara avaliação de risco de Síndrome de Lise Tumoral
LDHPara avaliação de risco de Síndrome de Lise Tumoral e carga tumoral.
ALT/ASTRecomenda-se <5 x LSN (exceto se atribuída a infi ltração hepática pela doença de base).
BilirrubinaRecomenda-se BT <2 mg/dL
HemogramaRecomenda-se Neutrófi los > 1.000/ mm³
Proteína C reativaRecomendada para avaliar infecção em atividade
HIVA positividade contraindica a coleta e processamento celular por alguns fornecedores de produtos CAR-T comerciais. 
Hepatite BA positividade contraindica a coleta e processamento celular por alguns fornecedores de produtos CAR-T comerciais. É recomendado profi laxia contra o vírus da hepatite B para pacientes com sorologia positiva indicando infecção, com ou sem replicação viral, pelo período mínimo de 6 meses. Iniciar antes do condicionamento.
Hepatite CA positividade contraindica a coleta e processamento celular por alguns fornecedores de produtos CAR-T comerciais
Sorologia para ChagasNão contraindica o procedimento. Monitorar.
Sorologia para CitomegalovírusNão contraindica o procedimento. Monitorar.
HTLV-1Não contraindica o procedimento. Monitorar.
Teste sorológico para SífilisNão contraindica o procedimento. Realizar tratamento previamente ao uso de CAR-T.
Dosagem de imunoglobulinas Basal
Quantificação de CD4Basal
Imagem de SNC (RNM)Obrigatório se história prévia de infiltração de SNC ou sintomas neurológicos. Porém, recomenda-se RNM basal em todo paciente antes do uso de CAR-T.
Punção liquóricaApenas se história prévia de infiltração de SNC ou sintomas neurológicos
Teste de gravidezSérico ou urinário. Deve estar negativo antes da leucoaferese e antes do início da linfodepleção.
Tabela 1: Avaliação mínima recomendada para determinação de elegibilidade e para o uso clínico de células CAR-T.
Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas

Avaliação do desempenho e histórico médico

Antes de iniciar a terapia CAR-T Cell, os médicos realizam uma avaliação detalhada do desempenho funcional do paciente, geralmente utilizando a escala ECOG, que mede a capacidade de realizar atividades diárias e a tolerância a tratamentos intensivos. Um bom status de desempenho é essencial para reduzir riscos e aumentar a probabilidade de sucesso da terapia.

Além disso, é necessário avaliar o histórico médico completo, incluindo a presença de outras neoplasias ativas, doenças crônicas e terapias prévias realizadas. Pacientes com múltiplos tratamentos anteriores podem apresentar maior risco de efeitos adversos ou menor resposta ao tratamento.

Outro fator importante é a reserva de medula óssea, que deve ser suficiente para suportar o processo de reinfusão das células CAR-T e permitir a recuperação da função hematológica. A idade do paciente também é considerada, pois influencia a tolerância ao tratamento e a recuperação pós-terapia.

Essa análise detalhada garante que apenas pacientes que atendam a critérios clínicos rigorosos sejam submetidos à terapia, aumentando a segurança e a eficácia do procedimento.

Fatores que podem impedir a elegibilidade

Nem todos os pacientes com câncer hematológico são elegíveis para a terapia CAR-T Cell. Certas condições clínicas e históricas podem tornar o tratamento inadequado ou arriscado, sendo necessário avaliar cuidadosamente cada caso. Entre os fatores de exclusão estão doenças graves concomitantes, como insuficiência cardíaca, respiratória ou renal descompensada, que podem comprometer a tolerância ao procedimento.

A presença de neoplasias ativas adicionais também é um critério de exclusão, pois aumenta o risco de complicações e interfere na eficácia do tratamento. Pacientes com estado de saúde instável ou debilitado podem não suportar os efeitos adversos, como a Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e a neurotoxicidade ICANS.

Outros fatores incluem idade avançada, baixa reserva de medula óssea e histórico de múltiplas terapias prévias que comprometeram o sistema imunológico. A avaliação criteriosa desses elementos garante que a terapia seja aplicada apenas a pacientes com maior chance de sucesso, reduzindo riscos e otimizando os resultados clínicos.

Como a Verdie apoia pacientes na terapia CAR-T

A Verdie oferece suporte completo para pacientes que estão avaliando ou realizando a terapia CAR-T Cell. A equipe auxilia na compreensão dos critérios de elegibilidade, esclarece dúvidas sobre potenciais riscos e efeitos colaterais e orienta sobre o acompanhamento clínico necessário durante todo o processo.

Com orientação especializada e atendimento personalizado, a Verdie garante que pacientes e familiares recebam informações claras, confiáveis e atualizadas, aumentando a segurança e a confiança no tratamento.

Entre em contato com a Verdie e descubra como receber suporte completo na avaliação de elegibilidade e na condução segura da terapia CAR-T Cell.

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