Terapia CAR-T vs. Terapia com Células TIL: qual a diferença?

dezembro 30, 2025
CAR-T vs TIL: veja as diferenças entre as terapias celulares mais promissoras contra o câncer e saiba qual é mais indicada para cada tipo de tumor.

Nos últimos anos, os avanços da imunoterapia transformaram o cenário do tratamento do câncer. Entre as abordagens mais promissoras estão as terapias CAR-T e TIL, que utilizam as próprias células do sistema imunológico do paciente para combater o tumor.

Embora ambas partilhem o mesmo princípio — o uso de linfócitos T —, há diferenças fundamentais entre elas, desde a forma de obtenção das células até o tipo de câncer em que cada uma é mais eficaz. Neste artigo, você vai entender de forma clara e completa o que diferencia CAR-T vs TIL, como funcionam, e quais os desafios e avanços de cada uma dessas terapias revolucionárias.

O que é a terapia CAR-T?

A terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) é uma forma de imunoterapia personalizada que envolve modificação genética. Nessa abordagem, os linfócitos T do próprio paciente são coletados e reprogramados em laboratório para expressar um receptor quimérico de antígeno (CAR), capaz de reconhecer proteínas específicas presentes na superfície das células cancerígenas.

Após essa modificação, as células CAR-T são multiplicadas e reinfundidas no organismo do paciente, onde passam a atuar como um exército direcionado exclusivamente contra o tumor. Essa terapia tem mostrado resultados impressionantes em cânceres hematológicos, como leucemias e linfomas, alcançando taxas elevadas de remissão completa em casos antes considerados sem alternativas terapêuticas.

O que é a terapia TIL?

A terapia com células TIL (Tumor-Infiltrating Lymphocytes), por outro lado, não utiliza engenharia genética. Nesse caso, as células T já infiltradas no tumor do paciente — ou seja, aquelas que naturalmente tentam combater o câncer — são coletadas diretamente do tecido tumoral.

Essas células são isoladas, expandidas em grande quantidade em laboratório e posteriormente reinfundidas no paciente após um preparo imunológico específico. A ideia é amplificar a resposta antitumoral natural do próprio corpo. A terapia TIL tem se mostrado especialmente eficaz em tumores sólidos, como melanoma metastático, câncer de pulmão e ovário, justamente porque explora células já adaptadas ao ambiente tumoral.

CAR-T vs TIL: diferenças fundamentais

A diferença central entre CAR-T vs TIL está na engenharia genética. Enquanto as células CAR-T são modificadas para reconhecer alvos específicos, as TIL são naturais, selecionadas entre as que já estão combatendo o tumor. Essa distinção impacta diretamente o tipo de câncer tratado, a especificidade do alvo e os resultados clínicos esperados.

Outros pontos de diferença incluem o tempo de produção, a complexidade técnica e o custo do tratamento. Enquanto as CAR-T exigem biotecnologia avançada e manipulação genética, as TIL dependem da viabilidade e da qualidade das células retiradas do tumor.
Veja abaixo uma comparação detalhada entre as duas abordagens:

CAR-T vs TIL

AspectoTerapia CAR-TTerapia TIL
Origem das célulasLinfócitos T coletados do sangueLinfócitos T coletados do tumor
Modificação genéticaSim — inserção de receptor CARNão — expansão natural das células
Alvo principalAntígenos específicos (ex: CD19)Diversos antígenos tumorais
Tipo de câncer tratadoHematológicos (leucemias, linfomas)Tumores sólidos (melanoma, pulmão, ovário)
Complexidade de produçãoAlta (engenharia genética e expansão celular)Moderada (expansão e seleção celular)
Tempo médio de fabricação3 a 6 semanas4 a 8 semanas
Efeitos colaterais principaisSíndrome de liberação de citocinas, neurotoxicidadeFadiga, reações inflamatórias leves
Nível de personalizaçãoAltíssimo — célula modificada sob medidaElevado — célula expandida do próprio tumor
Status clínicoAprovada em diversos países para câncer hematológicoEm estudos clínicos avançados para tumores sólidos

Vantagens e limitações de cada abordagem

Ambas as terapias têm pontos fortes e desafios. A terapia CAR-T é extremamente direcionada e potente, mas ainda enfrenta limitações no tratamento de tumores sólidos devido à barreira física e imunológica que o microambiente tumoral impõe. Além disso, seus efeitos colaterais, como a síndrome de liberação de citocinas, exigem monitoramento médico intensivo.

a terapia TIL, por não depender de modificação genética, tende a apresentar menor toxicidade e maior potencial de adaptação ao microambiente tumoral. No entanto, seu sucesso depende da presença de um número suficiente de linfócitos T infiltrados no tumor — o que nem sempre ocorre.

O futuro da imunoterapia: integração entre CAR-T e TIL

A fronteira atual da pesquisa busca combinar os benefícios das CAR-T e TIL, criando terapias híbridas capazes de unir a especificidade da engenharia genética com a adaptabilidade das células tumorais naturais.

Estudos recentes investigam a modificação genética de células TIL para aumentar sua capacidade de infiltração e persistência, bem como o uso de CAR-T adaptadas a tumores sólidos, com receptores ajustados ao microambiente tumoral. Essas inovações prometem expandir o alcance das terapias celulares, tornando-as acessíveis a um número cada vez maior de pacientes e tipos de câncer.

Inovação e personalização no combate ao câncer

Entender as diferenças entre CAR-T vs TIL é essencial para compreender o futuro da oncologia moderna. Ambas as terapias representam a convergência entre ciência, tecnologia e personalização — pilares da nova era da medicina de precisão.

Enquanto a CAR-T se consolida como referência em cânceres hematológicos, a TIL surge como esperança concreta para o tratamento de tumores sólidos.

A Verdie acompanha de perto esses avanços científicos, promovendo acesso à informação de qualidade e conhecimento técnico sobre terapias celulares inovadoras.

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