Terapia com CAR T-cells no tratamento de tumores sólidos

Inicialmente aplicada com sucesso em alguns tipos de leucemias e linfomas, a terapia CAR-T Cell agora desperta grande interesse também para o tratamento de tumores sólidos, que representam a maioria dos casos oncológicos. Esse tipo de terapia utiliza células T modificadas em laboratório para reconhecer e atacar células tumorais de forma direcionada.
Apesar do enorme potencial, sua aplicação em tumores sólidos ainda enfrenta desafios relacionados ao microambiente tumoral e à segurança do paciente. Diversos estudos clínicos vêm avançando para superar essas barreiras, trazendo novas perspectivas para pacientes com opções terapêuticas limitadas.
Ao mesmo tempo, a comunidade científica busca aprimorar a eficácia e ampliar o acesso a essa abordagem. Neste artigo, exploraremos como a terapia com CAR T-cells pode transformar o tratamento de tumores sólidos, seus desafios atuais e os caminhos promissores para o futuro.
Avanços recentes da terapia CAR-T no tratamento de tumores sólidos
Nos últimos anos, a terapia com CAR T-cells tem avançado de forma significativa no tratamento de tumores sólidos, antes considerados mais resistentes a imunoterapias. Pesquisadores como Paul Beavis e Phil Darcy, do Peter MacCallum Cancer Centre desenvolveram estratégias que utilizam citocinas ativadas apenas no microambiente tumoral, atingindo taxas próximas de 100% de cura em modelos animais de câncer de mama, cólon e ovário.
Outro avanço relevante vem da University of Pennsylvania em parceria com a Gilead, que testou um CAR-T direcionado a EGFR e IL13Rα2 em glioblastoma recorrente, alcançando redução tumoral em 62% dos pacientes tratados por via intratecal.
Também se destacam iniciativas como a do grupo do Michael Hudecek, na Alemanha, que busca novos alvos tumorais (como os receptores ROR) e formas mais simples e acessíveis de produção das células CAR-T. Esses avanços indicam que, embora ainda haja obstáculos, a terapia CAR-T começa a se consolidar como uma alternativa promissora contra tumores sólidos.
Desafios atuais na aplicação da terapia CAR-T em cânceres sólidos no Brasil
A adoção da terapia CAR-T no tratamento de tumores sólidos enfrenta barreiras significativas, tanto do ponto de vista científico quanto logístico e econômico.
No aspecto biológico, tumores sólidos apresentam um microambiente altamente imunossupressor, além de heterogeneidade antigênica e falta de alvos tumorais específicos — fatores que dificultam a infiltração, persistência e eficácia das células CAR-T no local do tumor. Essa realidade tem sido destacada em publicações médicas nacionais como a Revista Médica de Minas Gerais.
Além dos desafios técnicos, os custos exorbitantes representados pela terapia são uma das principais barreiras à sua democratização no Brasil, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).
Estima-se que um único tratamento possa custar entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, considerando todas as etapas — desde a coleta e modificação genética até o envio internacional e o monitoramento pós-infusão.
Por sua vez, a dependência de infraestrutura externa, como laboratórios especializados no exterior, agrava não só os custos como também os tempos de entrega e a autossuficiência tecnológica. Isso retarda a incorporação da técnica no SUS e limita-a, em grande parte, aos usuários de planos de saúde privados.
No campo da produção e pesquisa nacional, ainda que existam iniciativas promissoras conduzidas pela Fiocruz, Instituto Butantan, USP e Hemocentro de Ribeirão Preto, esses esforços esbarram em desafios de capacidade técnica, logística, regulamentação e financiamento
Pesquisas e ensaios clínicos em andamento até 2025
No Brasil
- Instituto Butantan, USP e Hemocentro de Ribeirão Preto
Essas instituições desenvolveram um programa robusto de produção de terapia CAR-T no país, com planos de avançar para ensaio clínico em pacientes com linfoma não-Hodgkin e leucemia linfoide aguda. O protocolo de fase 1/2 já foi aprovado pela Conep e em breve será submetido à Anvisa, com acompanhamento de até 12 anos dos voluntários. - FMRP-USP em parceria com o Institut Curie (França)
Está em preparação um estudo clínico para avaliar segurança e eficácia de uma nova CAR-T voltada ao linfoma oculocerebral. O projeto prevê transferência de tecnologia para o Brasil e futura incorporação no SUS. - Revisões sistemáticas de ensaios clínicos com CAR-T em tumores sólidos
Em apresentação recente, Marco Aurélio Salvino (UFBA) e colaboradores revisaram ensaios registrados no ClinicalTrials.gov. Concluíram que, embora haja menos de dez ensaios por ano para tumores sólidos, a maioria se concentra em alvos como CEA, mesotelina, PSMA, ERBB2, MUC-1 e EGFRvIII — com foco principal em câncer de pulmão, colorretal, mama e hepatocelular onconews.com.br. - Anais de eventos científicos no Brasil (Belém e Altamira)
- Um trabalho apresentado no Congresso Amazônico de Oncologia (2025) destaca avanços clínicos como o CT041 (CLDN18.2 positivo), CAR-T anti-mesotelina via CRISPR e CTX130 (alvo CD70) com controle de doença em 81,3% dos casos de carcinoma renal.
- Em outra revisão na Jornada Acadêmica da Medicina do Xingu (2025), foram analisados achados de ensaios clínicos de CAR-T em tumores sólidos, ressaltando a personalização e uso de diferentes antígenos-alvo.
- Um trabalho apresentado no Congresso Amazônico de Oncologia (2025) destaca avanços clínicos como o CT041 (CLDN18.2 positivo), CAR-T anti-mesotelina via CRISPR e CTX130 (alvo CD70) com controle de doença em 81,3% dos casos de carcinoma renal.
No Exterior
- Ensaios clínicos globais de impacto (conferência ASCO 2025)
- Um ensaio randomizado de CAR-T em câncer gástrico e da junção gastroesofágica mostrou aumento de cerca de 40 % na sobrevida, comparado à terapia padrão.
- Outro ensaio reportado mostrou encolhimento tumoral em 62 % dos pacientes com glioblastoma recorrente, abrindo caminho para novas aplicações em tumores cerebrais.
- Um ensaio randomizado de CAR-T em câncer gástrico e da junção gastroesofágica mostrou aumento de cerca de 40 % na sobrevida, comparado à terapia padrão.
- Gilead Sciences e University of Pennsylvania
Um CAR-T dual—com alvos EGFR e IL-13Rα2—administrado por via intratecal apresentou respostas significativas em pacientes com glioblastoma recorrente: 62 % apresentaram encolhimento tumoral e alguns mantiveram estabilidade por mais de um ano. A terapia, embora promissora, ainda requer ajustes para garantir persistência e maior duração da resposta. - Terapia CAR-T para câncer gástrico na China (Peking University)
Um estudo envolvendo 266 pacientes com câncer de estômago mostrou que aqueles tratados com CAR-T viveram em média 7,9 meses, em comparação com 5,5 meses no grupo controle — um avanço importante na luta contra tumores sólidos.
Perspectivas futuras e inovações que podem ampliar a eficácia da CAR-T
Para 2025, a CAR-T em tumores sólidos deve avançar com engenharia “armored/TRUCKs”, em que as células passam a secretar citocinas (ex.: IL-12) para reverter a imunossupressão do microambiente tumoral e sustentar a atividade antitumoral.
Outra frente é o endereçamento multi-alvo (bi/multi-específicos) para reduzir escape antigênico e ampliar a cobertura tumoral. Modelos de ativação condicionada (p.ex., CARs sensíveis à hipóxia) prometem aumentar a segurança ao restringir a ativação ao interior do tumor, diminuindo exaustão e toxicidade sistêmica.
No delivery, cresce o uso de infusão locorregional (intratumoral, intrapleural, intratecal) e suportes biomateriais para melhorar infiltração e persistência das células. A próxima geração de designs também inclui edições CRISPR (ex.: PD-1/TGFβRII), receptores coestimuladores otimizados e “switches” de segurança, com pipelines descritos em revisões recentes.
No acesso, ganham tração plataformas alogênicas “off-the-shelf” e até CAR-T in vivo (entrega por vetores/mRNA), com potencial de reduzir tempo e custo de fabricação. Com combinações racionais (checkpoint inhibitors, rádio/quiomodelação, vírus oncolíticos) e novos antígenos (B7-H3, CLDN18.2, MSLN, entre outros), espera-se maior taxa de resposta e durabilidade clínica.
No Brasil, iniciativas de Butantan/USP/Hemocentro de Ribeirão Preto indicam acelerar a transição das plataformas atuais para alvos em tumores sólidos, alinhando pesquisa e fabricação local ao SUS.
Em síntese, engenharia mais inteligente + melhor entrega + combinações terapêuticas + manufatura escalável formam o quadrante de inovação que pode tornar a CAR-T uma opção mais eficaz e acessível para cânceres sólidos até 2025.
A contribuição da Verdie para o avanço da CAR-T no Brasil
A Verdie vem se consolidando como parceira estratégica no desenvolvimento de terapias avançadas, apoiando centros de pesquisa, hospitais e instituições na implementação de soluções que aceleram a chegada da CAR-T ao contexto brasileiro.
Com atuação em gestão de projetos clínicos, integração tecnológica e consultoria regulatória, a empresa auxilia na superação de desafios científicos e logísticos, aproximando inovações globais da realidade local. Além de fomentar colaborações internacionais, a Verdie contribui para a construção de caminhos que viabilizam o acesso do paciente brasileiro a tratamentos de ponta, alinhados às necessidades do SUS e da saúde suplementar.
Se você é médico, pesquisador ou gestor da área de saúde e deseja explorar como a Verdie pode apoiar sua instituição a avançar em projetos com CAR-T, entre em contato e descubra como transformar inovação em realidade clínica.
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