Preservação da fertilidade no câncer: importância e tratamentos

junho 8, 2026
Entenda preservação da fertilidade no câncer: métodos para homens e mulheres, critérios e prazos antes do tratamento. Veja opções e próximos passos.

Receber um diagnóstico de câncer costuma acelerar decisões que ninguém queria tomar. E, no meio de exames, prazos e escolhas terapêuticas, um tema pode ficar “para depois” mesmo sendo decisivo: preservação fertilidade câncer. A boa notícia é que, hoje, existem estratégias eficazes para proteger a chance de ter filhos no futuro, desde que a conversa aconteça cedo.

Neste artigo, você vai entender quais tratamentos podem afetar a fertilidade, quais métodos existem para mulheres e homens, quando cada opção faz sentido, quais são as limitações, e como alinhar tudo isso com a urgência do tratamento. Se esse assunto te interessa, vale seguir até o fim para sair com um roteiro prático de decisão e uma tabela comparativa para facilitar.

Por que o tratamento oncológico pode comprometer a fertilidade

A fertilidade depende de células que se dividem e amadurecem com o tempo. Como quimioterapia e radioterapia atacam células de rápida divisão, ovários e testículos podem ser atingidos, principalmente com alguns esquemas específicos e em determinadas faixas etárias. A chance de impacto varia conforme dose, combinação de drogas, campo de radiação e reserva reprodutiva prévia.

Em termos práticos, o risco pode ir de uma queda temporária da função reprodutiva até infertilidade permanente. No caso feminino, pode ocorrer redução da reserva ovariana e falência ovariana prematura. No caso masculino, pode haver queda de espermatozoides, às vezes com recuperação parcial ao longo do tempo.

Alguns grupos de medicamentos são reconhecidos como mais gonadotóxicos, com destaque para agentes alquilantes, que podem trazer maior risco de dano às gônadas em comparação com outras classes. Por isso, quando existe janela antes de iniciar terapia, a recomendação usual é discutir preservação fertilidade câncer com a equipe o quanto antes.

O que aumenta ou reduz o risco, na prática

A idade é um fator central. Em mulheres, quanto maior a idade, menor a reserva ovariana e maior a chance de perda definitiva após tratamentos agressivos. Em homens, a recuperação também varia, mas pode ser limitada por dose total e tempo de exposição. Além disso, radioterapia em região pélvica, testicular ou próximo aos ovários tende a elevar o risco.

Outro ponto é a urgência do tratamento: alguns protocolos permitem aguardar dias ou poucas semanas para preservação, outros exigem início imediato. E isso não significa “não dá para fazer nada”, e sim escolher alternativas compatíveis com o tempo e a segurança oncológica.

Métodos de preservação de fertilidade para mulheres antes do tratamento

Para mulheres, as opções mais consolidadas envolvem criopreservação de óvulos ou embriões, e, em situações selecionadas, criopreservação de tecido ovariano. A escolha depende de idade, reserva ovariana, presença ou não de parceiro, e do tempo disponível antes de começar quimioterapia ou radioterapia.

A criopreservação de óvulos exige estímulo ovariano e coleta, com planejamento médico para encaixar no cronograma oncológico. A criopreservação de embriões segue lógica semelhante, mas requer fertilização antes do congelamento. Já o congelamento de tecido ovariano pode ser considerado quando não há tempo para estímulo, ou em cenários específicos, sempre com avaliação especializada.

Além disso, em casos de radioterapia pélvica, existe a possibilidade de transposição ovariana, que reposiciona os ovários para reduzir exposição à radiação, quando clinicamente indicado.

Supressão ovariana com análogos de GnRH: onde entra e o que esperar

A supressão ovariana com agonistas de GnRH é discutida como estratégia adjuvante em alguns cenários, especialmente para reduzir risco de falência ovariana associada à quimioterapia. Revisões e ensaios randomizados mostram redução estatisticamente significativa nas taxas de falência ovariana em determinados contextos, na ordem de 70% a 72% em análises citadas com odds ratio favorável.

Ainda assim, é importante tratar como complemento, não como substituto, porque não garante preservação de fertilidade por si só e pode não ser adequada para todos os tipos de tumor. O papel exato deve ser definido com oncologista e especialista em reprodução.

Métodos de preservação de fertilidade para homens antes do tratamento

Para homens pós-púberes, a criopreservação de sêmen é, em geral, a opção mais direta e rápida, muitas vezes possível em poucos dias. Quando a coleta é difícil ou inviável, pode-se considerar extração testicular de espermatozoides, conforme avaliação urológica.

Para meninos pré-púberes, existe a criopreservação de tecido testicular, que é uma alternativa em desenvolvimento e pode ser oferecida em contextos específicos, pois ainda depende de protocolos e disponibilidade.

O ponto-chave é não esperar “terminar o tratamento para ver”. Antes do primeiro ciclo, ainda há chance de coleta com melhor qualidade, e a decisão costuma ser mais simples do que parece quando é bem orientada.

Tabela comparativa: opções de preservação fertilidade câncer antes do tratamento

Método

Para quem

Tempo típico antes do tratamento

O que preserva

Principais pontos de atenção

Congelamento de óvulos

Mulheres

10 a 14 dias (em média)

Óvulos

Exige estímulo ovariano e procedimento de coleta

Congelamento de embriões

Mulheres com parceiro ou doador

10 a 14 dias (em média)

Embriões

Requer fertilização antes do congelamento

Congelamento de tecido ovariano

Mulheres, casos selecionados

Pode ser mais rápido

Tecido ovariano

Indicação específica e avaliação especializada

Transposição ovariana

Mulheres com radioterapia pélvica

Planejamento cirúrgico

Proteção dos ovários

Não protege contra quimioterapia

Criopreservação de sêmen

Homens pós-púberes

Rápido, em dias

Espermatozoides

Ideal antes do início da quimioterapia

Extração testicular (TESE)

Homens quando não conseguem coletar

Variável

Espermatozoides

Procedimento invasivo e indicação individual

Tecido testicular (pré-púbere)

Meninos em cenários específicos

Variável

Tecido testicular

Alternativa em desenvolvimento/definições variam

Como decidir: critérios médicos, tempo e segurança

A decisão costuma seguir três perguntas objetivas. Primeiro, qual o risco gonadotóxico do tratamento proposto. Segundo, quanto tempo existe com segurança antes de começar. Terceiro, qual método tem melhor relação entre chance futura e viabilidade agora.

Também entram critérios clínicos: estado geral do paciente, função ovariana ou testicular basal, presença de tumor hormônio-sensível em alguns casos, e riscos do procedimento. E, sempre, consentimento informado, porque preservação fertilidade câncer envolve expectativas, probabilidades e limites.

Diretrizes clínicas reforçam a importância de discutir preservação de fertilidade de forma precoce com pessoas que iniciarão terapias potencialmente gonadotóxicas e de encaminhar para especialistas quando aplicável.

Perguntas frequentes sobre preservação fertilidade câncer

Quem deve considerar preservação de fertilidade antes do tratamento?

Em geral, qualquer pessoa em idade reprodutiva, ou que deseje manter possibilidade futura, antes de quimioterapia, radioterapia pélvica ou cirurgias com risco reprodutivo. A avaliação é individual, mas o tempo é crítico.

Se meu tratamento precisa começar rápido, ainda faz sentido conversar sobre isso?

Sim. Muitas vezes há opções rápidas, como criopreservação de sêmen, ou alternativas que não exigem duas semanas completas. O mais importante é sinalizar o tema imediatamente.

Preservação de fertilidade garante que vou ter filhos depois?

Não é garantia. É uma estratégia para aumentar a chance futura. A probabilidade depende de idade, método, quantidade e qualidade do material preservado e do contexto clínico após o tratamento.

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