Seminário da CBDL detalha as terapias avançadas no Brasil, inclusive CAR-T cell

No dia 28 de abril de 2026, o Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, recebeu um evento de alto impacto para a saúde brasileira. A Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) organizou um seminário dedicado às terapias avançadas, com foco especial nas células CAR-T. O painel central debateu os desafios de levar pesquisas inovadoras à produção clínica real.
O evento reuniu especialistas de referência nacional, com moderação da Dra. Fotini Toscas, da SCTIE do Ministério da Saúde. As apresentações abordaram regulação, acesso, custos e perspectivas futuras. Cada palestrante trouxe uma dimensão diferente dessa equação complexa, revelando os avanços e os entraves que ainda limitam o alcance dessas terapias no Brasil.
Anvisa e os desafios regulatórios dos produtos de terapias avançadas
O Dr. João Batista Jr., da Gerência de Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas (GSCTO) da Anvisa, abriu as discussões. Ele apresentou o conceito de Produtos de Terapias Avançadas (PTAs) e os desafios de regular inovações tão aceleradas.
Batista Jr. destacou a necessidade de uma inteligência regulatória que equilibre inovação, segurança e acesso equitativo. Ele também discorreu sobre os ciclos de vida dos PTAs, incluindo estudos, registros e farmacovigilância pós-registro.
Para o representante da Anvisa, o monitoramento contínuo é indispensável após a aprovação de qualquer terapia avançada. Segundo ele, planos de gerenciamento de risco, cooperação internacional e decisões regulatórias ágeis serão cada vez mais necessários nesse cenário.
CAR-T cell no Hemocentro de Ribeirão Preto
O Dr. Rodrigo Calado, do NUTERA e do Hemocentro de Ribeirão Preto, apresentou o funcionamento da terapia CAR-T e sua aplicação prática. Ele descreveu as etapas do processo produtivo: coleta, seleção de células T, modificação genética, expansão celular e devolução ao paciente.
Calado traçou uma linha do tempo da terapia CAR-T, com o primeiro caso de linfoma tratado em 2010. Apesar dos resultados impressionantes, como a regressão tumoral em 30 dias, o custo permanece um obstáculo crítico.
"No Brasil, um pouco mais de 100 casos são tratados por CAR-T. Isso é uma toxicidade financeira", afirmou o especialista, referindo-se ao custo de cerca de 4 milhões de reais por tratamento. Ele também mencionou um estudo clínico multicêntrico com 81 pacientes com nefrite lúpica, realizado em parceria com USP, Unicamp, Beneficência Portuguesa e Sírio-Libanês.
CAR-T e o mieloma múltiplo no SUS
O Dr. Vanderson Rocha, do HC/FMUSP e presidente da Fundação Pró Sangue, centrou sua fala no mieloma múltiplo e no acesso via sistema público. Ele lembrou que mais de 75% da população brasileira depende exclusivamente do SUS.
O mieloma múltiplo é um câncer da medula óssea com cerca de 4.800 a 5.000 novos casos por ano no Brasil. Sem opções de resgate adequadas, o prognóstico historicamente era de óbito em quatro anos.
Rocha destacou a iniciativa do NUTERA, uma joint venture entre o Instituto Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a Fundação Pró Sangue, como uma aposta concreta para democratizar o acesso à terapia CAR-T. A proposta é produzir o tratamento dentro do ecossistema do SUS, mudando o paradigma de acesso a essa tecnologia.
CRISPR e a doença falciforme
Tecnologia | Aplicação principal | Custo estimado | Estágio no Brasil |
|---|---|---|---|
CAR-T cell | Linfomas, mieloma, autoimunes | ~R$ 4 milhões | Produção nacional em desenvolvimento |
CRISPR | Anemia falciforme | US$ 2 a 3 milhões | Estudos clínicos em andamento |
O Dr. Bruno Solano, do Instituto D'Or de Pesquisa e Educação, apresentou a tecnologia CRISPR aplicada à doença falciforme. Trata-se de uma ferramenta de edição genética de alta precisão, capaz de cortar, substituir ou inserir sequências de DNA.
Solano alertou para a dimensão do problema: são estimados 100 mil casos de anemia falciforme no Brasil, com 18 mil de fenótipos graves e 15 mil pacientes elegíveis para novos tratamentos. Nos testes clínicos globais, com 60 pacientes, a taxa de resposta chegou a 100%.
Ainda assim, o custo elevadíssimo e a complexidade do processo produtivo seguem como barreiras à incorporação no SUS. Para o pesquisador, reduções drásticas de custo são imprescindíveis para que essa terapia alcance quem mais precisa.
Doenças autoimunes e neurológicas no horizonte do CAR-T
A Dra. Mariana Kerbauy, do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), encerrou o seminário com uma apresentação sobre aplicações emergentes da terapia CAR-T cell em doenças autoimunes e neurológicas.
Ela apresentou resultados em condições como lúpus, esclerose sistêmica, miosite, esclerose múltipla, miastenia gravis e Síndrome da Pessoa Rígida. Em miastenia gravis, a taxa de resposta foi de 100%. Na Síndrome da Pessoa Rígida, 46% dos pacientes conseguiram andar com mais rapidez após o tratamento.
A médica apontou para um futuro com terapias alogênicas, CAR-T in vivo e variantes como o CAAR-T. Porém, foi direta sobre os desafios: acesso, criação de centros especializados, tempo de fabricação e distribuição global ainda limitam a expansão dessas terapias. "A eficácia é notável e há um campo promissor para o tratamento de enfermidades", concluiu a especialista.
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O seminário da CBDL reforça o que a Verdie acompanha de perto há anos: o Brasil está construindo as bases para uma nova era em terapias avançadas. O caminho é desafiador, mas os avanços são reais e cada vez mais próximos dos pacientes brasileiros.
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Fonte: CBDL – Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial. "Seminário da CBDL detalha as terapias avançadas no Brasil". Publicado em 5 de maio de 2026.
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