Brasil realiza 1ª terapia CAR-T 100% nacional com alta taxa de remissão em cânceres do sangue

fevereiro 8, 2026
Brasil realiza a 1ª terapia CAR-T 100% nacional, com altas taxas de remissão e impacto estratégico para o futuro da oncologia.

Sumário

O Brasil alcançou um marco histórico na oncologia celular ao realizar a primeira terapia CAR-T produzida e aplicada integralmente em território nacional, abrindo um novo capítulo no tratamento de cânceres hematológicos. Até então, esse tipo de imunoterapia — que envolve a modificação genética de células T do paciente para reconhecer e destruir células tumorais — era majoritariamente importado, com custos astronômicos e logística complexa de envio para fora do país.

A iniciativa, chamada CARTHIAE, foi conduzida pelo Hospital Israelita Albert Einstein e contou com aprovação regulatória e financiamento no âmbito do PROADI-SUS. A produção nacional das células CAR-T foi feita dentro do próprio hospital, usando tecnologia apropriada para manufatura point-of-care, ou seja, no mesmo local onde o paciente recebe o tratamento. Isso permitiu reduzir custos, encurtar o tempo entre a coleta e a infusão e garantir controle mais próximo de todo o processo.

Os resultados iniciais são considerados promissores: de acordo com dados preliminares, 81 % dos pacientes responderam ao tratamento, com 72 % alcançando remissão completa da doença, e taxas de sobrevida livre de progressão e global também expressivas em acompanhamento de cerca de 11 meses — indicadores que sinalizam a eficácia da terapia mesmo em casos avançados.

Como funciona a CAR-T nacional e por que isso importa

A terapia CAR-T desenvolvida no Brasil segue o princípio básico dessa imunoterapia: coletar as células T do paciente, modificar geneticamente essas células para reconhecer um antígeno tumoral específico (como CD19 em linfomas e leucemias), expandi-las em laboratório e reinfundí-las para que combatam o câncer de forma direcionada. Esse ciclo — da coleta à infusão — normalmente leva algumas semanas, mas a produção local reduz atrasos associados ao envio internacional de material.

Esse tratamento representa uma alternativa inovadora para pacientes em estágio avançado que não respondem a terapias convencionais, como quimioterapia, radioterapia ou transplante de medula. A produção 100 % nacional também tem potencial de aumentar a autonomia do Brasil frente à dependência de produtos importados, com custos que podem ser substancialmente menores do que os modelos comerciais estrangeiros, que chegam a cerca de R$ 3 milhões por tratamento.

A consolidação dessa tecnologia no país é vista como um passo crucial não apenas em termos clínicos, mas também em termos de capacitação tecnológica, redução de custos e ampliação do acesso — fatores essenciais para considerações de incorporação em sistemas públicos de saúde como o SUS no futuro.

Panorama regulatório e próximos passos no Brasil

Historicamente, a terapia CAR-T passou a ser utilizada no Brasil em caráter experimental desde cerca de 2019, com centros como o Hemocentro de Ribeirão Preto gerando produtos acadêmicos e resultados clínicos iniciais positivos. A regulação específica para produtos de terapias avançadas foi consolidada pela Anvisa nos últimos anos, alinhando o país aos marcos regulatórios internacionais e criando um ambiente mais claro para pesquisa, produção e uso clínico dessas tecnologias inovadoras.

O avanço com a terapia CAR-T nacional representa uma evolução significativa nesse contexto, com potencial para fortalecer redes de pesquisa, produção e atendimento e estimular colaborações entre universidades, hospitais e instituições de pesquisa brasileiras. O foco agora está na ampliação de ensaios clínicos, monitoramento de longo prazo dos pacientes e discussão técnica sobre acesso e sustentabilidade em escala maior.

O que esse avanço representa para o futuro do tratamento do câncer no Brasil

A produção e aplicação de uma terapia CAR-T 100 % nacional marca uma conquista científica e técnica relevante, revelando que países de renda média como o Brasil podem desenvolver imunoterapias sofisticadas capazes de competir com soluções importadas em eficácia e segurança. Esse marco pode impulsionar uma nova fase para terapias celulares no país, estimulando não apenas o tratamento de cânceres hematológicos, mas também abrindo caminhos para inovações no tratamento de doenças autoimunes e outras neoplasias no futuro.

Potencial impacto em políticas de saúde e decisões estratégicas

A implementação dessa terapia no Brasil tem implicações que vão além da clínica. Ela exige reflexão estratégica sobre como integrar tecnologias de alto custo e alto impacto, quais modelos de financiamento podem viabilizar o acesso no longo prazo e como fortalecer capacidades tecnológicas nacionais. Para gestores, instituições e formuladores de política, esse tipo de avanço coloca em foco a necessidade de decisões baseadas em dados e visão de futuro, equilibrando inovação, sustentabilidade e equidade no sistema de saúde.

Para apoiar decisões complexas como essa — que envolvem tecnologia médica, impacto econômico e sustentabilidade do sistema de saúde — a Verdie oferece consultoria estratégica para líderes e organizações do setor, ajudando a transformar avanços científicos em decisões sólidas e viáveis para o futuro da saúde no Brasil.

Precisa de suporte?

Prestamos suporte para diferentes tipos de necessidades: de pacientes que necessitam reivindicar seus direitos à médicos procurando orientar seus pacientes e/ou clínicas desejando montar centros de tratamento.

Publicações relacionadas

  • Entenda os principais aspectos éticos da modificação genética em terapias CAR-T e como garantir segurança, consentimento e equidade.

    A rápida evolução das terapias avançadas, como a terapia com células CAR-T, trouxe não apenas esperança para pacientes com câncer, mas também importantes debates sobre os limites éticos da modificação genética. O uso de técnicas que alteram o material genético humano — mesmo com fins terapêuticos — levanta questionamentos sobre segurança, responsabilidade científica, consentimento e acesso equitativo.

    10 de fevereiro de 2026
  • Entenda como o CAR-T transformou o tratamento do DLBCL recidivado e refratário, com altas taxas de resposta e remissão duradoura.

    O Linfoma Difuso de Grandes Células B (DLBCL) é o subtipo mais comum de linfoma não Hodgkin, representando cerca de 30% dos casos em todo o mundo. Apesar dos avanços terapêuticos, uma parcela dos pacientes apresenta DLBCL recidivado ou refratário, ou seja, a doença retorna após o tratamento ou não responde aos protocolos convencionais.

    9 de fevereiro de 2026
  • Brasil realiza a 1ª terapia CAR-T 100% nacional, com altas taxas de remissão e impacto estratégico para o futuro da oncologia.

    O Brasil alcançou um marco histórico na oncologia celular ao realizar a primeira terapia CAR-T produzida e aplicada integralmente em território nacional, abrindo um novo capítulo no tratamento de cânceres hematológicos. Até então, esse tipo de imunoterapia — que envolve a modificação genética de células T do paciente para reconhecer e destruir células tumorais — era majoritariamente importado, com custos astronômicos e logística complexa de envio para fora do país.

    8 de fevereiro de 2026

Procurando algo?