Linfoma Difuso de Grandes Células B (DLBCL): a principal indicação do CAR-T

fevereiro 9, 2026
Entenda como o CAR-T transformou o tratamento do DLBCL recidivado e refratário, com altas taxas de resposta e remissão duradoura.

Sumário

O Linfoma Difuso de Grandes Células B (DLBCL) é o subtipo mais comum de linfoma não Hodgkin, representando cerca de 30% dos casos em todo o mundo. Apesar dos avanços terapêuticos, uma parcela dos pacientes apresenta DLBCL recidivado ou refratário, ou seja, a doença retorna após o tratamento ou não responde aos protocolos convencionais.

Nos últimos anos, a terapia com células CAR-T emergiu como uma alternativa revolucionária para esses casos, oferecendo taxas de resposta superiores e possibilidades reais de cura. Este artigo explica por que o DLBCL recidivado e refratário é a principal indicação do CAR-T, detalhando o mecanismo de ação, resultados clínicos, critérios de elegibilidade e comparações com outras terapias disponíveis.

O que é o DLBCL recidivado e refratário

O DLBCL (Linfoma Difuso de Grandes Células B) é um câncer agressivo do sistema linfático, originado nos linfócitos B — células responsáveis pela produção de anticorpos. Apesar de responder bem à quimioterapia de primeira linha, especialmente ao esquema R-CHOP, cerca de 30% a 40% dos pacientes recaem ou não apresentam resposta completa.

Nesses casos, o linfoma é classificado como recidivado (quando retorna após remissão) ou refratário (quando não responde ao tratamento inicial). Esses pacientes enfrentam um prognóstico desfavorável, com opções terapêuticas limitadas e sobrevida global reduzida, tornando necessária uma abordagem inovadora — papel hoje ocupado pela terapia com células CAR-T.

Características clínicas e desafios do tratamento

Pacientes com DLBCL recidivado e refratário costumam apresentar progressão rápida da doença, resistência à quimioterapia e comprometimento de múltiplos órgãos.
Os desafios principais incluem:

  • Falha terapêutica após transplante autólogo de medula óssea;
  • Toxicidade cumulativa de quimioterápicos;
  • Escassez de opções eficazes para pacientes idosos ou fragilizados;
  • Necessidade de tratamentos individualizados e com ação imunológica direcionada.

Esses fatores impulsionaram o desenvolvimento de terapias celulares capazes de reprogramar o sistema imunológico para combater o câncer de forma mais específica e duradoura.

O papel da terapia com CAR-T no manejo da doença

A terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-Cell) é hoje considerada a principal indicação terapêutica para o DLBCL recidivado e refratário.
Ela atua modificando geneticamente os linfócitos T do próprio paciente, para que passem a reconhecer e destruir células tumorais que expressam o antígeno CD19 — presente na maioria dos linfomas B.

Os estudos clínicos demonstram que, em pacientes sem resposta a múltiplas linhas de tratamento, as taxas de resposta global variam de 50% a 80%, com remissão completa em até 40% dos casos. Esses resultados são expressivos frente à limitada eficácia de outras abordagens convencionais.

Mecanismo de ação das células CAR-T

O processo envolve várias etapas controladas e personalizadas:

  1. Coleta das células T do paciente (leucoferese);
  2. Modificação genética em laboratório, inserindo o gene do receptor quimérico (CAR) que reconhece o antígeno CD19;
  3. Expansão e multiplicação das células modificadas;
  4. Reinfusão no paciente, após uma quimioterapia leve de linfodepleção;
  5. Ataque direcionado às células tumorais, mediado por uma resposta imune intensa e sustentada.

Esse mecanismo transforma as próprias células do paciente em um “medicamento vivo”, capaz de buscar e eliminar o câncer de forma autônoma.

Eficácia e resultados clínicos do tratamento

Estudos como o ZUMA-1, JULIET e TRANSCEND consolidaram a eficácia do CAR-T em DLBCL recidivado e refratário.
De acordo com os dados mais recentes:

  • Taxa de resposta global (ORR): 52% a 83%;
  • Taxa de resposta completa (CR): até 46%;
  • Sobrevida global em 2 anos: em torno de 50% em pacientes previamente sem alternativas terapêuticas.

Além disso, muitos pacientes permanecem em remissão duradoura, evidenciando o potencial curativo da terapia — algo raramente observado em terapias de resgate convencionais.

Critérios para indicação de terapia com CAR-T

A terapia CAR-T é indicada principalmente para pacientes com:

  • DLBCL recidivado ou refratário após duas ou mais linhas de tratamento;
  • Falha após transplante autólogo ou inelegibilidade para o procedimento;
  • Doença expressando o antígeno CD19;
  • Estado clínico geral adequado para suportar o tratamento (ECOG 0-2).

A decisão terapêutica deve ser feita por equipe multidisciplinar, incluindo hematologistas, oncologistas e especialistas em terapia celular, garantindo avaliação individualizada de riscos e benefícios.

Comparação com outras opções terapêuticas

O CAR-T se destaca pela magnitude da resposta e durabilidade dos resultados, diferindo significativamente de outras abordagens.

Terapia

Taxa de resposta global (ORR)

Limitações principais

Quimioterapia de resgate

20%–30%

Toxicidade elevada e respostas curtas

Transplante autólogo

40%–50%

Nem todos os pacientes são elegíveis

Anticorpos biespecíficos

50%–60%

Efeitos ainda sob estudo a longo prazo

CAR-T Cell (CD19)

70%–80%

Alto custo e toxicidades imunológicas controláveis

Embora o CAR-T ainda enfrente desafios logísticos e financeiros, ele se consolida como a terapia mais eficaz disponível para DLBCL recidivado e refratário, redefinindo o padrão de tratamento e abrindo caminho para abordagens de segunda geração.

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O DLBCL recidivado e refratário representa um dos maiores desafios da hematologia oncológica, mas os avanços em terapia com células CAR-T transformaram o cenário do tratamento. Com respostas duradouras e possibilidade real de cura, essa abordagem vem mudando o prognóstico de pacientes antes sem alternativas eficazes.

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