A visão dos planos de saúde sobre o custeio da Terapia CAR-T

dezembro 25, 2025
Saiba como funciona o reembolso plano saúde CAR-T, quais são os direitos do paciente e como garantir o acesso à terapia inovadora.

A terapia com células CAR-T representa uma das maiores inovações no tratamento de doenças hematológicas e autoimunes, mas também um dos maiores desafios no reembolso pelos planos de saúde. O reembolso do plano de saúde para CAR-T tem gerado dúvidas entre pacientes, médicos e operadoras, especialmente devido ao custo elevado e ao processo regulatório ainda em evolução no Brasil.

Neste artigo, você vai entender como os planos de saúde têm se posicionado diante dessa nova terapia, quais são os direitos do paciente, e como proceder quando há negativa de cobertura. Continue lendo para compreender o cenário atual e as possibilidades reais de acesso ao tratamento com segurança jurídica e respaldo médico.

O que é a Terapia CAR-T e por que seu custo é elevado

A terapia CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) consiste em modificar geneticamente linfócitos T do próprio paciente para que reconheçam e ataquem células doentes, como as cancerígenas ou autorreativas. Essa abordagem personalizada envolve tecnologia de ponta, infraestrutura hospitalar complexa e processos rigorosos de controle de qualidade.

O custo do tratamento pode ultrapassar milhões de reais por paciente, o que explica parte da resistência das operadoras em aprovar o reembolso plano saúde CAR-T. Além disso, o número reduzido de centros habilitados e a necessidade de transporte especializado das células tornam o processo ainda mais oneroso. Mesmo assim, os resultados clínicos têm sido promissores, com casos de remissão completa em doenças graves como leucemia, linfoma e lúpus refratário.

Como os planos de saúde enxergam a Terapia CAR-T

Atualmente, a maioria das operadoras ainda trata o reembolso plano saúde CAR-T com cautela, alegando ausência da terapia no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. Esse argumento, porém, não é definitivo. A legislação brasileira não considera o rol como lista taxativa, mas sim exemplificativa, o que significa que procedimentos fora da lista podem ser cobertos desde que atendam a critérios médicos e científicos.

Os planos de saúde, em geral, baseiam suas decisões em três fatores: custo, comprovação de eficácia e enquadramento regulatório. Contudo, quando o tratamento possui registro na ANVISA, como é o caso das terapias CAR-T aprovadas, a recusa pode ser considerada indevida. Diversas decisões judiciais têm reconhecido o direito do paciente ao custeio integral nesses casos.

Direitos do paciente e caminhos para o reembolso

Pacientes com prescrição médica fundamentada têm respaldo legal para pleitear o reembolso plano saúde CAR-T, mesmo diante de negativas iniciais. O primeiro passo é reunir documentação médica completa, incluindo:

  • Relatório detalhado do médico responsável, com justificativa técnica;
  • Laudos e exames que comprovem a necessidade da terapia;
  • Orçamento e proposta do centro hospitalar habilitado;
  • Comprovação de registro do medicamento na ANVISA.

Se o plano de saúde negar o pedido, o paciente pode recorrer administrativamente e, em seguida, buscar o Judiciário, que tem concedido liminares rápidas para garantir o acesso ao tratamento, considerando o risco de progressão da doença e o caráter inovador da terapia.

Custeio da Terapia CAR-T no Brasil

CritérioCenário Atual no BrasilSituação Ideal Esperada
Inclusão no Rol da ANSParcial / em discussãoInclusão definitiva com diretrizes claras
Reembolso pelos planosLimitado / por decisão judicialCobertura direta, sem necessidade de ação
Registro na ANVISASim (para determinados produtos)Ampliação para novas indicações
Acesso para pacientes do SUSPontual (via pesquisa)Disponibilização nacional gradual

Essa tabela evidencia o descompasso entre a evolução científica e a regulação. Embora já existam bases legais e aprovação sanitária, o custeio ainda depende de interpretações distintas por parte das operadoras.

O papel da anvisa e da justiça no acesso à Terapia CAR-T

A aprovação da terapia CAR-T pela ANVISA é um marco fundamental, pois confirma sua segurança e eficácia. Isso dá respaldo aos médicos na prescrição e aos pacientes no pleito pelo reembolso plano saúde CAR-T. Mesmo assim, a ausência de atualização rápida do rol da ANS gera insegurança e atraso na cobertura.

Nesse cenário, o Poder Judiciário tem atuado como mediador entre inovação e direito à saúde. As decisões favoráveis consideram que negar cobertura com base exclusivamente no rol da ANS contraria princípios do Código de Defesa do Consumidor e da Lei dos Planos de Saúde, que garantem ao paciente o tratamento indicado por seu médico, desde que haja respaldo científico.

Caminhos para o futuro: sustentabilidade e acesso

A solução definitiva passa por debate regulatório, inovação em modelos de pagamento e transparência entre operadoras e fabricantes. O uso de acordos de risco compartilhado e reembolso condicionado a resultados clínicos pode equilibrar custos e garantir acesso equitativo.

O avanço das terapias gênicas exige uma nova visão de sustentabilidade, que não pode se limitar ao custo imediato. O reembolso do plano de saúde CAR-T deve ser entendido como investimento em qualidade de vida e redução de custos hospitalares futuros — especialmente em pacientes refratários a terapias convencionais.

A terapia CAR-T é um marco da medicina personalizada, mas o acesso ainda depende de informação, orientação médica qualificada e defesa dos direitos do paciente. Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades com o reembolso do plano de saúde, busque apoio especializado para garantir esse direito.

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