CRS e ICANS: entendendo a Síndrome da Liberação de Citocina e a Neurotoxicidade

setembro 9, 2025
Entenda CRS e ICANS, principais efeitos da terapia CAR-T, sintomas, manejo clínico e como a Verdie apoia pacientes durante o tratamento.

A terapia CAR-T Cell representa um avanço revolucionário no tratamento de certos tipos de câncer, oferecendo esperança para pacientes com doenças hematológicas resistentes a terapias convencionais. No entanto, esse tratamento inovador pode causar efeitos colaterais significativos, entre eles a Síndrome de Liberação de Citocinas (CRS) e a Neurotoxicidade associada à terapia CAR-T (ICANS).

A CRS ocorre quando o sistema imunológico libera uma grande quantidade de citocinas, provocando febre, hipotensão e dificuldade respiratória, enquanto a ICANS envolve alterações neurológicas, como confusão mental, dificuldade de fala e convulsões. Compreender esses efeitos é fundamental para pacientes, familiares e equipes médicas, garantindo intervenção rápida e adequada.

Neste artigo, vamos explorar de forma clara e acessível o que são CRS e ICANS, seus sinais e sintomas, formas de monitoramento e estratégias de manejo, ajudando a informar e tranquilizar quem acompanha de perto a terapia CAR-T Cell.

Síndrome de Tempestade de Citocinas (STC)

A Síndrome de Tempestade de Citocinas e a Síndrome de Liberação de Citocinas é o mesmo nome dado para esta síndrome, entretanto o consenso geral de nome é Síndrome da Liberação de Citocinas (CRS).

O que é a Síndrome da Liberação de Citocinas (CRS)

A Síndrome da Liberação de Citocinas (CRS) é uma reação inflamatória sistêmica que ocorre quando as células T modificadas da terapia CAR-T ativam o sistema imunológico de forma intensa, liberando grandes quantidades de citocinas. Essa resposta pode ser desencadeada por uma carga tumoral elevada ou pela ativação maciça das células CAR-T.

Os sintomas iniciais da CRS incluem febre alta, calafrios, fadiga, náuseas, dor muscular e dor de cabeça. Em casos mais graves, pode haver hipotensão (pressão arterial baixa), dificuldade respiratória, taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e até falência de órgãos.

A gravidade da CRS varia de leve a potencialmente fatal, dependendo da intensidade da resposta imunológica. O tratamento geralmente envolve suporte clínico com fluidos intravenosos, medicamentos para controlar a pressão arterial e, em casos mais graves, o uso de tocilizumabe, um anticorpo monoclonal que neutraliza a interleucina-6 (IL-6), uma citocina inflamatória chave na CRS.

De acordo com o Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas:

Recomenda-se avaliação dos sinais vitais a cada 4 horas após a infusão das células CAR-T e avaliação laboratorial diária com hemograma, função renal, eletrólitos, função hepática, desidrogenase láctica, coagulograma incluindo fibrinogênio e dímero-D, ácido úrico, proteína C reativa (PCR) e ferritina.

O monitoramento próximo do paciente nas primeiras semanas após a infusão de células CAR-T é essencial para detectar precocemente a CRS e iniciar o tratamento adequado, minimizando riscos e melhorando os resultados clínicos.

Entendendo a Neurotoxicidade: ICANS

A ICANS (Síndrome Neurotóxica Associada a Imunoeffectoras) é uma complicação neurológica que pode ocorrer após a terapia CAR-T Cell, geralmente em conjunto ou após a CRS. Ela se manifesta por alterações no sistema nervoso central causadas pela ativação intensa do sistema imunológico e pela inflamação mediada por citocinas.

Os sintomas mais comuns incluem confusão mental, dificuldade de fala, desorientação, alterações de comportamento e, em casos mais graves, convulsões. 

Apesar de alarmantes, esses efeitos costumam ser reversíveis quando detectados e tratados precocemente. A monitorização neurológica rigorosa nos primeiros dias e semanas após a infusão das células CAR-T é fundamental para garantir a segurança do paciente.

O manejo da ICANS envolve suporte clínico, controle de sintomas e, em situações graves, intervenções médicas específicas, como corticosteroides, para reduzir a inflamação. Com protocolos adequados, a maioria dos pacientes se recupera completamente, permitindo que a terapia CAR-T continue sendo uma opção eficaz e segura no tratamento de cânceres hematológicos.

Sintomas da Síndrome da Liberação de Citocinas (CRS)

Os sintomas são causados pela resposta imunológica do corpo onde há uma reação exagerada ao tratamento de certos tipos de imunoterapias, principalmente aquelas que envolvem células T, como a CAR-T Cell.

A STC pode causar alterações de risco nas funções do corpo como as funções cardíacas, pulmonares, renal, hepática e cerebral.

Entretanto nem sempre os sintomas são relacionados a STC e outros efeitos colaterais das terapias imunológicas podem surgir sem relação com a mesma. Entretanto os sintomas mais comuns são:

Sistema afetadoSintoma
ConstitucionalFebre, tremores, fadiga, anorexia, mialgia, artralgia, cefaleia
DermatológicoRash
GastrointestinalNáusea, vômitos, diarreia
RespiratórioTaquipnéia, hipoxemia
CardiovascularTaquicardia, hipotensão, dor torácica, arritmias
HematológicoHemorragia, coagulação intravascular disseminada
RenalInsufi ciência renal aguda
Tabela 1: Sintomas em pacientes com CRS
Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas

Achados labotaróriais
HematológicoElevação de dímero-D, hipofi brinogenemia, alargamento de TP e TTPa
RenalHiponatremia, hipocalemia, hipofosfatemia
HepáticoElevação de transaminases, hiperbilirrubinemia
OutrosElevação de proteína C reativa, ferritina e interleucina-6
Tabela 2: Achados laboratoriais em pacientes com CRS
Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas

Mecanismos biológicos por trás da CRS e ICANS

A Síndrome da Liberação de Citocinas (CRS) e a neurotoxicidade ICANS estão intimamente relacionadas à ativação intensa das células CAR-T no organismo. Quando essas células T geneticamente modificadas reconhecem os antígenos tumorais, elas liberam grandes quantidades de citocinas inflamatórias, como interleucina-6 (IL-6), interferon-gama e fator de necrose tumoral alfa. Essa liberação em excesso provoca inflamação sistêmica, que se manifesta clinicamente como febre, hipotensão e falência de órgãos, caracterizando a CRS.

No caso da ICANS, acredita-se que a inflamação sistêmica e a liberação de citocinas causem alterações na barreira hematoencefálica, permitindo que moléculas inflamatórias e células imunes afetem o cérebro. Isso resulta nos sintomas neurológicos típicos da ICANS, como confusão mental, dificuldade de fala e convulsões. A interação complexa entre citocinas, ativação imunológica e respostas endoteliais explica por que essas complicações podem ocorrer de forma sequencial ou simultânea.

Compreender esses mecanismos é fundamental para o manejo clínico seguro, permitindo intervenções rápidas e direcionadas, redução de riscos e melhor eficácia da terapia CAR-T Cell, garantindo que o paciente receba todos os benefícios do tratamento sem comprometer sua segurança neurológica e sistêmica.

Monitoramento e manejo clínico das complicações

O acompanhamento próximo de pacientes submetidos à terapia CAR-T Cell é essencial para identificar precocemente a Síndrome da Liberação de Citocinas (CRS) e a neurotoxicidade ICANS. Nas primeiras semanas após a infusão, os pacientes permanecem geralmente em ambiente hospitalar, onde sinais vitais, exames laboratoriais e avaliação neurológica contínua permitem detectar alterações logo no início.

O manejo da CRS inclui suporte clínico com fluidos intravenosos, controle da pressão arterial e administração de medicamentos como tocilizumabe, que neutraliza a interleucina-6 e reduz a inflamação sistêmica. Já a ICANS é tratada com corticosteroides e monitoramento neurológico rigoroso, garantindo a reversibilidade da maioria dos efeitos.

Além do tratamento medicamentoso, protocolos institucionais preveem intervenções rápidas diante de sinais de gravidade, prevenção de complicações secundárias e comunicação constante entre equipe multidisciplinar. O manejo eficiente dessas complicações não só melhora a segurança do paciente, como também permite que a terapia CAR-T mantenha sua alta eficácia no combate ao câncer hematológico.

Impacto das complicações na terapia CAR-T e qualidade de vida

As complicações como CRS e ICANS podem influenciar diretamente tanto a segurança quanto a eficácia da terapia CAR-T Cell. Quando detectadas e tratadas precocemente, a maioria dos pacientes consegue se recuperar sem impactos duradouros, mantendo a eficácia do tratamento contra leucemias e linfomas refratários. No entanto, casos graves ou não monitorados podem levar a internações prolongadas, necessidade de intervenções intensivas e aumento do risco de efeitos adversos sérios.

Além dos aspectos clínicos, essas complicações também afetam a qualidade de vida do paciente, gerando ansiedade, desconforto físico e dependência temporária de suporte médico contínuo. Por isso, protocolos estruturados de monitoramento, educação do paciente e acompanhamento multidisciplinar são essenciais para reduzir riscos e otimizar resultados.

Com manejo adequado, os pacientes podem aproveitar os benefícios revolucionários da terapia CAR-T, enquanto os efeitos colaterais são controlados, garantindo que a inovação científica transforme vidas sem comprometer a segurança e o bem-estar do paciente.

Leituras recomendadas:

Consenso da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular Sobre Células Geneticamente Modificadas

O apoio da Verdie para pacientes em terapia CAR-T

A Verdie oferece suporte especializado para pacientes que realizam a terapia CAR-T, orientando sobre a CRS, ICANS e cuidados necessários durante o tratamento. A equipe fornece informações claras sobre sintomas, acompanhamento hospitalar e estratégias de manejo seguro, ajudando pacientes e familiares a compreender cada etapa do processo.

Com atendimento personalizado e conteúdo confiável, a Verdie garante que o paciente tenha suporte contínuo e segurança, tornando a experiência mais tranquila e informada.

Fale com a Verdie e descubra como receber orientação completa sobre a terapia CAR-T Cell e o gerenciamento de possíveis efeitos colaterais.

Precisa de suporte?

Prestamos suporte para diferentes tipos de necessidades: de pacientes que necessitam reivindicar seus direitos à médicos procurando orientar seus pacientes e/ou clínicas desejando montar centros de tratamento.

Publicações relacionadas

Procurando algo?